Publicado em: 20 de março de 2026
Vorcaro é transferido para superintendência da pf em brasília e abre caminho para delação
Mudança de local de prisão, autorizada por ministro do STF, é o primeiro passo para negociação de acordo de colaboração premiada
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido na noite desta quinta-feira (19) da Penitenciária Federal em Brasília para a superintendência da Polícia Federal na capital. A mudança, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi feita de helicóptero e representa o primeiro movimento concreto para a negociação de um acordo de delação premiada.
Com a transferência, os investigadores terão acesso direto ao banqueiro e a seus advogados sem as barreiras de segurança típicas de um presídio de segurança máxima. Vorcaro deverá ficar na mesma sala onde o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve custodiado antes de ser transferido para o Batalhão da Polícia do Exército, conhecido como Papudinha.
Os próximos passos das tratativas ocorrerão sob sigilo, e Vorcaro já aceitou assinar um compromisso de confidencialidade com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A mudança na estratégia de defesa ocorreu após o Supremo Tribunal Federal formar maioria de votos para manter a prisão do banqueiro, levando-o a trocar de advogado e a cogitar delatar políticos e juízes com quem teve relação pessoal nos últimos anos.
Saiba mais:
Vorcaro foi preso no dia 4 de março na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O pedido de prisão, acolhido por Mendonça, baseou-se em novos elementos que indicavam que o banqueiro teria dado ordens diretas para intimidar jornalistas, ex-empregados e empresários, além de ter tido acesso prévio ao conteúdo das investigações. A delação em negociação pode se tornar um dos desdobramentos mais sensíveis do caso, uma vez que Vorcaro integra um círculo próximo de figuras políticas e do Judiciário. O acordo, se formalizado, deverá incluir não apenas a confissão dos crimes financeiros, mas também a identificação de outros envolvidos em supostas práticas de obstrução da justiça e influência institucional.

7 de fevereiro de 2026