Publicado em: 20 de março de 2026
Em meio a críticas e citações em investigações, Alexandre de Moraes recebe homenagem de Fachin e Gilmar Mendes em sessão no Supremo
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e o decano da corte, Gilmar Mendes, fizeram um discurso de homenagem ao ministro Alexandre de Moraes, que completa nove anos no tribunal em março. Fachin se emocionou ao destacar a atuação de Moraes nos processos sobre a tentativa de golpe em 2022, afirmando que sua contribuição “não foi substituir o tribunal, mas garantir que ele pudesse decidir”. Gilmar Mendes, por sua vez, classificou Moraes como o “pivô da defesa da democracia brasileira” e defendeu a lisura do inquérito das fake news.
Os elogios ocorrem dias após Moraes ser citado em reportagens sobre o caso Banco Master, que revelaram supostas trocas de mensagens entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barsi, mantinha um contrato de cerca de R$ 129 milhões com o banco, mas a defesa da ministra negou qualquer atuação junto ao STF. Apesar do contexto, os discursos na sessão desta quinta-feira (19) focaram na defesa das instituições e na firmeza do magistrado diante dos ataques golpistas.
Durante a homenagem, Fachin ressaltou que “houve uma tentativa de romper com a ordem democrática” e que Moraes respondeu com “virtude intimorata”. Gilmar Mendes citou o papel do ministro no inquérito das milícias digitais e na suspensão da rede social X, além de lembrar sua atuação nos eventos de 8 de janeiro. O decano defendeu que as críticas a Moraes são uma “retórica política dos acusados para desacreditar o tribunal” e destacou a coragem do Brasil em submeter um ex-mandatário ao rigor da lei.
Saiba mais:
Alexandre de Moraes tomou posse no STF em março de 2017, indicado pelo então presidente Michel Temer. Desde 2019, ele é o relator do inquérito das fake news, que investiga a divulgação de notícias fraudulentas e ameaças a ministros da corte. A investigação se ampliou após as eleições de 2022 e os ataques de 8 de janeiro de 2023, consolidando Moraes como uma figura central na resposta judicial aos atos antidemocráticos. O ministro também presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o pleito de 2022, sendo alvo constante de críticas por parte de opositores do ex-presidente Jair Bolsonaro. As recentes revelações sobre o caso Banco Master, no entanto, reacenderam o debate sobre possíveis conflitos de interesses e a atuação de familiares de autoridades, levando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abrir uma reclutância disciplinar para apurar o caso.