Publicado em: 19 de março de 2026
Brasilienses enfrentam até 4km de filas para abastecer em posto de combustíveis que vende gasolina a R$ 2,98 como parte do Dia da Liberdade de Impostos (DLI).Consumidores lotam postos em Criciúma com medo da falta de gasolina, e vendas chegam a dobrar; preço nas bombas já subiu 40 centavos.
O temor de desabastecimento, impulsionado pela alta do petróleo no mercado internacional e pela possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros, já se reflete no bolso e no comportamento do consumidor em Santa Catarina. Em Criciúma, o proprietário da rede de postos São Pedro, Roberto Benedet, afirmou que as vendas na última quarta-feira (18) dobraram em relação a um dia normal. “O consumidor recebe a informação muito rápido e também se assusta muito rápido. Ontem vendemos em um dia o equivalente a dois dias normais”, explicou em entrevista à Rádio Som Maior.
Por trás da corrida aos postos, estão números concretos. A valorização do petróleo já chegou à bomba: a gasolina acumula alta média de 40 centavos por litro, enquanto o diesel subiu cerca de 80 centavos. O impacto é ainda maior para os empresários: os custos de reposição junto às distribuidoras aumentaram 70 centavos na gasolina e 90 centavos no diesel. Benedet alerta que, embora não haja desabastecimento generalizado no momento, a corrida dos consumidores para encher o tanque pode, por si só, reduzir drasticamente os estoques.
O empresário também revelou que as distribuidoras já impõem restrições à venda de volumes maiores, o que dificulta a reposição imediata. O cenário de incerteza se agrava com a possibilidade de uma paralisação nacional dos caminhoneiros, categoria que já sinaliza mobilização. Em Santa Catarina, a Justiça proibiu bloqueios rodoviários e estabeleceu multas para coibir interdições, mas a simples suspensão das viagens, caso a greve se confirme, pode comprometer gravemente a logística de entrega de combustíveis aos postos.
Saiba mais:
O temor de desabastecimento não é apenas uma reação exagerada dos consumidores. O alerta vem de dentro do setor. O proprietário da rede São Pedro explica que o problema não está apenas nos postos, mas na cadeia como um todo. As distribuidoras, pressionadas pelo aumento do custo de reposição e pela incerteza quanto à continuidade do fluxo de entrega por parte dos caminhoneiros, já começaram a racionar a venda de combustíveis para os postos. Isso significa que, mesmo que um posto queira comprar mais para atender à alta demanda, pode não conseguir. O cenário é agravado pelo fato de que a última grande paralisação da categoria, em 2018, durou dez dias e paralisou o país, escancarando a vulnerabilidade de um sistema de transporte excessivamente dependente das rodovias. Embora o governo e a justiça tentem coibir bloqueios, como a decisão judicial em Santa Catarina que prevê multas, a adesão dos caminhoneiros autônomos à paralisação, que deve ser decidida nos próximos dias, é a grande incógnita que mantém o setor em estado de atenção. A combinação de alta de preços, restrição na oferta das distribuidoras e potencial greve no transporte é o que acende o sinal de alerta para o risco real de faltar combustível nas bombas.

10 de dezembro de 2024