Furto de crânio de criança em cemitério causa comoção e vira caso na Justiça

Publicado em: 18 de março de 2026

Furto de crânio de criança em cemitério causa comoção e vira caso na Justiça

O crânio de uma criança foi retirado de um túmulo no dia 31 de outubro de 2025, apenas 49 dias após o falecimento. De acordo com a Polícia Militar de Santa Catarina, o suspeito foi detido em flagrante no mesmo dia, em um comércio localizado na Avenida Antônio Jovita Duarte, esquina com a Rua Zenaide Santos de Souza, no bairro Forquilhas. Dentro da mochila do homem, os policiais encontraram o crânio em avançado estado de decomposição, com vestígios de cabelo e tecido, além de uma imagem religiosa.

O suspeito, Wellington Cesar de Souza Leite, de 29 anos, admitiu aos policiais que retirou o crânio do cemitério para a realização de um ritual. Mesmo sendo preso em flagrante, ele foi liberado após passar por audiência de custódia.

Na noite da ocorrência, a Polícia Militar conduziu o homem até o Cemitério São João Batista, onde ele indicou o local da violação. No ponto informado, os agentes encontraram duas sepulturas parcialmente abertas, com sacos plásticos e restos ósseos visíveis. O material apreendido foi encaminhado para análise da Polícia Científica.

Descoberta da violação

A criança, Talita, havia falecido em 13 de setembro de 2025, após lutar contra um câncer cerebral desde a infância. Inicialmente sepultada em uma gaveta na parte inferior do cemitério, a menina teria o corpo transferido para um túmulo adequado, após uma campanha iniciada pela família.

A mãe só tomou conhecimento do caso ao ver uma notícia sobre o furto de um crânio no mesmo cemitério. No Dia de Finados, 2 de novembro, o pai da criança foi até o local e encontrou o túmulo danificado, comunicando a situação à família. Após insistência, a polícia foi acionada e confirmou que o crânio havia sido retirado.

Inicialmente, houve desencontro de informações por parte da Polícia Militar, que indicou que o material pertenceria a um homem, o que foi corrigido posteriormente, aumentando ainda mais a angústia dos familiares.

Demora na liberação do material

Apesar de o crânio ter sido recuperado no mesmo dia, a família enfrentou cerca de cinco meses de espera para realizar um novo sepultamento. O material permaneceu sob responsabilidade da Polícia Civil para realização de perícias. Exames de DNA e análises técnicas confirmaram que os restos mortais pertenciam à criança.

A liberação só avançou após a atuação do delegado responsável pelo caso, que solicitou maior agilidade nos procedimentos.

Em relato emocionado, a mãe destacou a dor prolongada diante da situação, comparando a espera e os desdobramentos do caso a uma nova perda.

Investigação e denúncia

O Ministério Público denunciou o suspeito com base no artigo 211 do Código Penal, que trata da subtração ou ocultação de cadáver ou parte dele, com pena prevista de reclusão e multa. O processo segue em tramitação na Justiça.

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