Publicado em: 17 de março de 2026
Movimento começa nesta quarta-feira (18) e ameaça paralisar portos de Itajaí e Navegantes.
Caminhoneiros autônomos de Itajaí e região anunciaram adesão à paralisação nacional da categoria em protesto contra o aumento no preço do diesel. A decisão foi tomada na manhã desta terça-feira (17) durante assembleia no pátio do Posto Dalçoquio, em Itajaí, que reuniu cerca de 200 motoristas. A greve terá início às 18h de quarta-feira (18), conforme deliberação conjunta com o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres de Navegantes (Sinditac).
O clima de indignação marcou a reunião. Em vídeo divulgado nas redes sociais, um dos motoristas discursou pedindo união e criticou a falta de estrutura nos pontos de parada e o descaso das autoridades. “Nós temos coragem. Estamos aqui para brigar pelo nosso filho, para dar uma faculdade, para não sofrer o que estamos sofrendo”, afirmou, sob aplausos. Segundo ele, a categoria precisa de mobilização para deixar de ser humilhada diante dos custos crescentes.
A insatisfação foi impulsionada pelo diesel quase 12% mais caro na última semana, saltando de R$ 6,08 para uma média de R$ 6,80 por litro, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O reajuste reflete a alta do petróleo no mercado internacional, agravada por conflitos geopolíticos. Motoristas autônomos também denunciam que os valores pagos pelo frete não cobrem mais os custos operacionais, inviabilizando a atividade e pressionando ainda mais a categoria.
Saiba mais:
O movimento ganhou força após lideranças de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul se reunirem no Porto de Santos na segunda-feira (16) e aprovarem a paralisação. Na região de Itajaí e Navegantes, cerca de três mil caminhoneiros autônomos atuam no transporte de cargas para os portos locais e para terminais em Itapoá e Imbituba. A categoria acompanha com atenção as medidas do governo federal para conter a alta dos combustíveis, enquanto especialistas apontam que a política de preços da Petrobras, atrelada ao dólar e ao mercado internacional, segue como principal vetor de pressão sobre o diesel. A paralisação reacende o temor de impactos logísticos semelhantes aos da greve de 2018, que paralisou o país.

10 de dezembro de 2025