Publicado em: 17 de março de 2026
Movimento articulado por prefeitos da região, entre eles Fernando Cruzeta (Orleans), considerado o melhor avaliado da sigla na Amrec, coloca demandas municipais à frente da legenda e expõe racha sobre vaga de senador

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Os cinco prefeitos do Progressistas (PP) na Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) iniciaram uma movimentação para que a sigla declare apoio formal à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Eles argumentam que os investimentos estaduais recebidos em suas cidades justificam a aliança, colocando as necessidades administrativas à frente das definições partidárias.
O movimento conta com a adesão de prefeitos como Fernando Cruzeta, de Orleans, que desponta como o nome mais bem avaliado do PP na Amrec e já havia manifestado publicamente seu apoio a Jorginho em entrevistas anteriores. A articulação, no entanto, escancara um impasse: a situação do senador Esperidião Amin (PP), maior liderança da legenda em Santa Catarina. Enquanto os prefeitos pregam fidelidade ao governador, Amin reafirma sua pré-candidatura à reeleição, mas esbarra na chapa majoritária já desenhada pelo PL, que conta com o prefeito Adriano Silva (Novo) como vice e os nomes de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro para o Senado.
Nesta segunda-feira (16), a executiva estadual do PP reuniu-se em Florianópolis para deliberar sobre o posicionamento da legenda. O encontro ocorre em meio a um racha interno: enquanto os prefeitos do Sul empurram a sigla para o palanque de Jorginho, setores da cúpula estadual, como o deputado Altair Silva, já sinalizaram apoio à pré-candidatura de João Rodrigues (PSD) ao governo.
Saiba mais:
A movimentação dos prefeitos da Amrec expõe um cenário de reconfiguração política em Santa Catarina, onde as alianças municipais frequentemente colidem com os projetos partidários estaduais. O senador Esperidião Amin, que governou o estado por dois mandatos e está em seu quarto período no Senado, resiste à ideia de concorrer a deputado federal, alternativa oferecida nos bastidores para mantê-lo na base aliada. Enquanto isso, Jorginho Mello já bateu o martelo sobre sua chapa “puro sangue” da direita: Adriano Silva, prefeito de Joinville pelo Novo, será o vice, e as vagas ao Senado ficaram com a deputada federal Caroline de Toni e com o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, ambos do PL, atendendo a uma imposição do ex-presidente Jair Bolsonaro. A definição, anunciada em janeiro, provocou a saída imediata do MDB do governo estadual, partido que até então ocupava três secretarias e negociava a indicação do vice. No PSD, a noite também é de tensão: a executiva se reúne para abrir processo de expulsão do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que rompeu com a candidatura de João Rodrigues, enquanto o ex-governador Jorge Bornhausen resiste à pressão interna e defende uma candidatura própria ao governo, isolando-se na cúpula da sigla.

28 de fevereiro de 2025