Grupos reflexivos para homens agressores contra mulheres disparam 65% em SC

Publicado em: 14 de março de 2026

Grupos reflexivos para homens agressores contra mulheres disparam 65% em SC

Expansão ocorre em meio à escalada de feminicídios no estado, e quase 7 mil homens já participaram das iniciativas desde 2020.

Santa Catarina registrou um aumento expressivo no número de grupos reflexivos destinados a homens autores de violência contra a mulher. Segundo mapeamento do Poder Judiciário catarinense em parceria com a UFSC, o estado saltou de 32 grupos em 2020 para 51 em 2025, um crescimento de 65,6%. A expansão ocorre justamente em um cenário de escalada nos casos de feminicídio, e as iniciativas já estão presentes em 41 comarcas, alcançando 65 municípios.

Os encontros são conduzidos por equipes interdisciplinares e funcionam como intervenções psicossociais que estimulam a reflexão sobre violência doméstica, relações de gênero e masculinidades. O objetivo é promover a responsabilização dos agressores e reduzir a reincidência. Atualmente, 78,4% dos participantes são encaminhados por determinação judicial, com base na Lei Maria da Penha, enquanto 21,6% chegam via sistemas de assistência social ou saúde.

Desde o início da série histórica, 6.797 homens já passaram pelos grupos em Santa Catarina, sendo 1.391 apenas em 2025. Apesar do avanço, a busca espontânea ainda é baixa: apenas 7,8% dos participantes procuram o programa voluntariamente, e esse movimento se restringe a quatro comarcas: Ascurra, Balneário Camboriú, Blumenau e Rio do Campo.

Saiba mais:
A metodologia dos grupos reflexivos tem se consolidado como política pública no estado, com quase metade das iniciativas (47%) tendo até dois anos de existência, o que indica um processo de interiorização e fortalecimento da rede de enfrentamento à violência. Estudos apontam que a taxa de reincidência entre participantes é significativamente baixa, girando em torno de 5%, o que reforça a eficácia da abordagem preventiva e educativa em contraste com medidas puramente punitivas. O programa catarinense, que teve seu primeiro grupo em Blumenau no ano 2000, hoje serve de referência para debates nacionais sobre diretrizes de grupos reflexivos no âmbito do Conselho Nacional de Justiça.

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