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9 de fevereiro de 2026
Publicado em: 11 de março de 2026
Crise no setor: altos custos do gás, logística precária e falta de estrutura colocam em risco quase 200 empregos diretos em Criciúma
A Esmalglass, uma das líderes do setor cerâmico com sede em Criciúma, estuda a possibilidade de transferir suas operações de Santa Catarina para o interior de São Paulo. A decisão, ainda em análise, é motivada por uma combinação de fatores que incluem os altos custos do gás natural, a deficiência logística e a falta de infraestrutura regional. Atualmente, a empresa emprega cerca de 200 trabalhadores diretamente na cidade catarinense, além de movimentar a economia local por meio de sua cadeia produtiva e de serviços.
O diretor-geral da Esmalglass, João Batista Borgert, alerta que o setor cerâmico no Sul do estado enfrenta um acelerado processo de desindustrialização. Segundo ele, a ausência de medidas concretas por parte das autoridades e da sociedade para reverter esse cenário agrava a situação. “Não vemos atitudes efetivas tentando mitigar as dificuldades. Se continuar assim, fica difícil imaginar um cenário regional positivo para o setor”, lamentou.
Entre os entraves mais críticos está o preço do gás natural, insumo essencial para a indústria, que em Santa Catarina é mais caro do que em outras regiões. A logística também é um ponto sensível: o principal mercado consumidor da empresa está no Sudeste, e o escoamento da produção pela BR-101 é considerado caro, ineficiente e pouco confiável. Além disso, a falta de voos regulares no aeroporto local e a escassez de navios nos portos dificultam o transporte de cargas e a mobilidade de equipes.
Saiba mais:
O movimento da Esmalglass reflete uma tendência mais ampla que preocupa especialistas em economia regional. O Sul catarinense, tradicional polo cerâmico do país, vem perdendo competitividade nos últimos anos devido ao que industriais chamam de “custo Brasil” regionalizado: energia cara, infraestrutura deficiente e burocracia. Enquanto estados como São Paulo e os do Nordeste oferecem incentivos fiscais e condições mais vantajosas de logística e energia, Santa Catarina vê suas indústrias repensarem sua permanência. A migração de plantas industriais para mais perto dos grandes centros consumidores ou para regiões com custos operacionais menores é uma estratégia de sobrevivência adotada por diversos setores. No caso da cerâmica, o impacto pode ser ainda mais profundo, já que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de revestimentos, mas exporta pouco devido justamente a esses gargalos. A saída de uma gigante como a Esmalglass não representa apenas a perda de empregos diretos, mas o enfraquecimento de toda uma cadeia produtiva historicamente enraizada na região.

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