Publicado em: 7 de março de 2026
Com número reduzido de participantes, colombófilos da Grande Florianópolis transformam treino e técnica em motivo para não deixar esporte centenário desaparecer
Em Santa Catarina, a columbofilia – a arte de criar e treinar pombos-correio para competições – se mantém viva graças à dedicação de um pequeno grupo de entusiastas. Na Grande Florianópolis, a Associação Amigos do Pombo-Correio (Assapoco), formalizada há pouco mais de dois anos, reúne criadores como Paulo Roberto Eschberger. Aos 73 anos, o ex-piloto de avião cultiva a paixão da infância em seu pombal na capital, onde cuida de cerca de 170 aves que competem em cidades catarinenses.
As competições, que já foram organizadas pela extinta Federação Catarinense de Colombofilia, hoje ocorrem de forma mais enxuta. Para equilibrar as disputas, os criadores da região chegaram a se unir a colombófilos de Curitiba, planejando solturas no Oeste catarinense. O objetivo era garantir distâncias semelhantes entre o ponto de largada e os pombais no litoral, tornando a competição mais justa. Diferente das aves comuns, esses pombos são atletas com rastreabilidade total, garantida por anilhas oficiais e integração com o Ministério da Agricultura.
A tecnologia também transformou a apuração dos resultados. Antes, os criadores utilizavam um método manual com anéis de borracha e relógios mecânicos. Hoje, um chip na pata da ave registra automaticamente o horário de chegada ao pombal. As provas são divididas por categorias, com distâncias que podem ultrapassar 800 quilômetros. Apesar do rigor técnico, o esporte no Brasil não oferece grandes premiações – os custos são divididos entre os participantes, e os vencedores recebem troféus. O que motiva os criadores, garante Eschberger, é a paixão.
Saiba mais:
A relação do Brasil com os pombos-correio é anterior ao seu uso como esporte e remonta a estratégias de comunicação militar. Em 1914, o Exército Brasileiro criou um serviço oficial com as aves, fundamentais para conectar regiões isoladas durante as expedições do Marechal Cândido Rondon. A prática ganhou status institucional em 1932 com a fundação da Sociedade Columbófila Brasileira, no Rio de Janeiro, e foi elevada a “servidora do Estado” em 1942, por decreto federal. Esse reconhecimento durou até 1991, quando o decreto foi revogado. Atualmente, o esporte é regulamentado pela Federação Columbófila Brasileira (FCB), que coordena 73 clubes oficiais no país e é filiada à entidade internacional (FCI). A rastreabilidade das aves é assegurada pela Instrução Normativa nº 5/2018 do Ministério da Agricultura, que exige anilhas com numeração única, emitidas pelo sistema do governo federal, garantindo controle sanitário e genealógico de cada pombo-atleta.