Publicado em: 7 de março de 2026
Banqueiro Daniel Vorcaro passa por procedimentos-padrão ao chegar na Papuda; corte de cabelo é opcional, mas muitos detentos preferem raspar para evitar parasitas
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro teve a barba e o bigode raspados ao dar entrada no sistema prisional, seguindo o protocolo de inclusão aplicado a todos os detentos. As imagens do banqueiro com o visual alterado foram registradas no Complexo Penal II de Guarulhos, após a troca das roupas civis pelo uniforme da unidade.
Apesar de o corte de cabelo ser comum nas prisões, ele não é obrigatório. De acordo com Fabio Jabá, presidente do Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo, muitos presos optam por raspar a cabeça voluntariamente. “Pedem para raspar o cabelo com medo de contrair sarna ou piolho”, explicou. A raspagem da barba, porém, é imposição do sistema.
Preso na última quarta-feira (4) em seu apartamento nos Jardins, área nobre de São Paulo, Vorcaro passou por audiência de custódia que manteve sua prisão preventiva, a pedido da Polícia Federal e com autorização do ministro André Mendonça, do STF. O magistrado assumiu a relatoria do caso após identificar proximidade entre o ministro Dias Toffoli e investigados.
O banqueiro foi transferido nesta sexta-feira (6) para um presídio federal em Brasília, após passar pelas unidades de Guarulhos e Potim. O cunhado dele, pastor Fabiano Zettel, apontado como número dois no esquema que investiga um rombo de até R$ 40 bilhões no Banco Master, também está preso e segue a mesma trajetória no sistema penitenciário.
Saiba mais:
A ida de Vorcaro para o sistema penitenciário federal ocorre em meio à Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na gestão do Banco Master. As prisões federais, como a da Papuda em Brasília, são conhecidas pelo regime disciplinar diferenciado, com celas individuais e protocolos rígidos de segurança. A preocupação com piolho e sarna nos presídios é real: a superlotação e as condições precárias de higiene em muitas unidades estaduais fazem com que infestações por parasitas sejam recorrentes. Por isso, mesmo sem obrigatoriedade, raspar o cabelo tornou-se uma prática comum entre detentos como medida preventiva, independentemente da classe social ou poder aquisitivo antes da prisão.

11 de fevereiro de 2025