Publicado em: 6 de março de 2026
Construída em 1919 por Henrique Lage, fortaleza no sul de SC guarda a memória de uma das maiores histórias de amor do país.

No alto de uma colina na cidade de Lauro Müller, em Santa Catarina, uma construção imponente remete aos contos de fadas europeus. O Castelo de Lauro Müller, também conhecido como Castelo Henrique Lage, foi erguido entre 1917 e 1919 como uma réplica de um castelo suíço. A fortaleza, com sua torre circular e jardins, não foi concebida apenas como residência, mas como um refúgio e presente do empresário Henrique Lage para sua esposa, a celebrada cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni .
A estrutura representa o apogeu da mineração de carvão na região sul catarinense, setor no qual Lage era um dos principais investidores. Mais do que um símbolo de amor, o castelo funcionou como base para as operações do empresário, hospedando engenheiros e visitantes ilustres envolvidos no desenvolvimento siderúrgico que ele ambicionava para o estado. Atualmente, a edificação é propriedade privada e já abrigou uma pousada, sendo tombada pela Fundação Catarinense de Cultura desde 1998 como patrimônio histórico .
A paixão de Henrique por Gabriella, no entanto, não se limitou às terras catarinenses. No Rio de Janeiro, aos pés do Corcovado, ele mandou construir outra residência para a artista: o palacete que hoje é o coração do Parque Lage. Inicialmente chamado de Villa Gabriella, o local foi reformado na década de 1920 com arquitetura italiana e jardins românticos, e se tornou um célebre ponto de encontro da sociedade carioca, onde a cantora recebia amigos e realizava saraus .
Saiba mais:
A visão industrial de Henrique Lage ia muito além dos presentes à esposa. Ele foi um dos primeiros grandes empreendedores a vislumbrar a criação de uma indústria siderúrgica de porte no Brasil, com planos ambiciosos de construir usinas em Vitória (ES) e Tubarão (SC). O objetivo era aproveitar o carvão catarinense e o minério de ferro de Minas Gerais para alavancar o desenvolvimento do sul do país em moldes semelhantes à futura Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No entanto, seus projetos enfrentaram resistência e, na década de 1940, o governo federal, com financiamento estrangeiro, optou por instalar a CSN em Volta Redonda (RJ), um marco que centralizou o desenvolvimento siderúrgico no país e deixou de lado a estrutura que Lage já havia começado a articular em Santa Catarina.