Publicado em: 6 de março de 2026
Filho do presidente Lula realizou 1.531 transações entre 2022 e 2026. Defesa nega irregularidades e acusa vazamento criminoso de dados sigilosos.
Documentos obtidos pela CPMI do INSS revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, movimentou R$ 19,5 milhões em uma única conta bancária entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. Os extratos, que chegaram à comissão na última quarta-feira (4), mostram um total de 1.531 operações financeiras, incluindo entradas de R$ 9,77 milhões e saídas de R$ 9,75 milhões no período analisado .
Os dados indicam que o ápice da movimentação ocorreu em 2024, somando R$ 7,27 milhões. Entre os lançamentos, constam três repasses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho, que totalizam R$ 721 mil, realizados em 2022 e 2023. A defesa de Lulinha afirma que os valores têm origem legal, como rendimentos de empresas do filho do presidente – a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento – além de resgates de investimentos e adiantamento de herança deixada por sua mãe, Marisa Letícia .
Em meio à divulgação dos dados, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta quinta-feira (5) a quebra de sigilo de Lulinha e de outras pessoas aprovada pela CPMI. A decisão atende a um pedido da defesa, que apontou irregularidades na votação em bloco de 87 requerimentos realizada em 26 de fevereiro, sem a devida fundamentação individual. O magistrado, no entanto, autorizou que a comissão refaça a votação de forma individualizada, caso deseje manter as investigações .
Saiba mais:
A investigação que mira Lulinha na CPMI do INSS tem origem em mensagens apreendidas pela Polícia Federal envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema bilionário de fraudes previdenciárias. Em diálogos interceptados, Antunes teria mencionado um pagamento de R$ 300 mil destinado ao “filho do rapaz”, o que levou parlamentares da oposição a aprofundarem as suspeitas sobre o empresário. Lulinha, no entanto, nunca foi formalmente acusado ou alvo de operações da PF no âmbito deste inquérito. A defesa do filho do presidente também já havia acionado o STF anteriormente para ter acesso aos autos, argumentando que as acusações são difamatórias e baseadas em relatos indiretos sem provas materiais que o vinculem ao esquema do INSS .