Publicado em: 17 de janeiro de 2026
Vítima foi perseguida até a porta da unidade policial. Agressor, que havia deixado a prisão por violência doméstica há quatro dias, cometeu suicídio após o crime.
Daiane Simão da Costa, de 35 anos, foi morta a tiros na manhã deste sábado (17) ao estacionar seu carro em frente à base da Polícia Militar de Balneário Piçarras, em Santa Catarina. Ela havia ligado para o irmão minutos antes, relatando que estava sendo perseguida pelo ex-companheiro e foi orientada a ir direto à PM. Apesar de ter uma medida protetiva de urgência contra o homem, não conseguiu escapar.
A vítima, que trabalhava na limpeza do Pronto Atendimento municipal, foi seguida pelo ex-companheiro assim que saiu de casa para o trabalho, antes das 6h. Ao percebê-lo em uma moto, dirigiu-se à base policial acreditando estar em segurança. O agressor, Almir Rogério de Sena Soares, de 42 anos, atirou contra ela e depois contra si próprio, morrendo em seguida no hospital.
Daiane deixa quatro filhos. A prefeitura local emitiu nota lamentando a perda e destacando a dedicação da funcionária. As secretarias de Saúde e de Assistência Social oferecerão suporte à família, incluindo auxílio funeral e acompanhamento psicológico.
Saiba mais:
O feminicídio no Brasil permanece como um problema grave e estrutural. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2024 indicam que, em média, uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas no país. Casos como o de Daiane, em que a vítima é assassinada ao tentar chegar a uma delegacia ou base policial, não são isolados e evidenciam falhas sistêmicas na proteção. Especialistas apontam que a eficácia das medidas protetivas depende criticamente de monitoramento eletrônico e de uma resposta integrada e ágil das forças de segurança, recursos muitas vezes insuficientes. A reincidência em crimes de violência doméstica, como no caso do agressor que havia sido preso por esse motivo dias antes, reforça a urgência de políticas públicas mais efetivas de prevenção e de responsabilização.