Publicado em: 16 de janeiro de 2026
Exportações de arroz para Venezuela e Cuba não foram pagas há dois anos, e produtores buscam na Justiça o ressarcimento.
Produtores de arroz de Santa Catarina enfrentam um prejuízo que já supera R$ 20 milhões devido ao não pagamento por parte de empresas importadoras da Venezuela e de Cuba. A venda, realizada há cerca de dois anos por intermédio de uma empresa do Rio Grande do Sul, tinha um valor inicial de R$ 14 milhões, mas a dívida aumentou com correções monetárias e juros.
Diante da inadimplência das compradoras estrangeiras, os arrozeiros, representados pelo Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz), moveram uma ação judicial para executar garantias oferecidas pela empresa intermediária. Entre os bens vinculados ao processo há um imóvel localizado em Pelotas (RS), utilizado como garantia contratual.
O presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, afirma que a intermediária alega não ter recebido o valor dos países compradores. O episódio levou o setor a adotar extrema cautela em novas negociações com esses mercados, citando a instabilidade política e econômica como fatores de risco, mesmo tratando-se de empresas privadas.
Saiba mais:
A Venezuela se consolidou, nos últimos anos, como o principal destino do arroz em casca brasileiro, chegando a responder por 32,4% das exportações nacionais desse produto em 2025, com 165,7 mil toneladas. Historicamente, o país também foi um dos dez maiores importadores de arroz polido do Brasil até 2024. A crise política venezuelana, agravada pela recente captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, gera incertezas no comércio exterior. Especialistas apontam que a segurança das transações com a Venezuela e Cuba frequentemente depende mais do contexto geopolítico e das restrições financeiras internacionais do que da vontade comercial dos agentes privados envolvidos.