Publicado em: 26 de novembro de 2025
Um a cada nove adolescentes no estado já utilizou os dispositivos, que provocam dependência e doenças pulmonares graves.
A popularidade dos cigarros eletrônicos entre adolescentes catarinenses esconde um grave risco à saúde. Conhecidos como vapes, pods ou pens, esses dispositivos são ilegais no Brasil desde 2009, mas circulam facilmente. Em Joinville, jovens como Isadora e Emily, de 18 anos, relatam ter começado a usar por influência de amigos por volta dos 16 anos. Ambas já sentem consequências, como tosse persistente, falta de ar e dores no peito, e afirmam que agora fumam apenas socialmente, buscando reduzir o vício.
Especialistas confirmam que os sintomas são comuns. O pneumologista Roger Pirath Rodrigues, do HU-UFSC, alerta para o aumento de casos de inflamação pulmonar entre jovens, citando uma paciente internada com pneumonite associada ao vape. Além de causar dependência química, os dispositivos podem conter substâncias perigosas. Uma pesquisa da UFSC com produtos apreendidos em Joinville detectou a presença de octodrina, uma anfetamina proibida pela Agência Mundial Antidoping.
A presença maciça nas escolas acendeu o alerta. Em uma unidade de Massaranduba, mais da metade de uma turma de 14 e 15 anos usava os dispositivos. Um projeto educativo resultou na entrega voluntária de 150 vapes. Estudantes como Nicolas e João, de 14 e 15 anos, contam que o vício já prejudica seu rendimento esportivo. A diretora da escola envolveu a Polícia Militar para apreender os produtos e expandir a conscientização.
Saiba mais:
A proibição pela Anvisa completa 16 anos em 2025, mas o comércio ilegal prospera. Em março de 2025, o MPSC desarticulou em Joinville uma organização que movimentou mais de R$ 10 milhões com a venda clandestina desses produtos em SC. Globalmente, o surto de lesão pulmonar associada ao vaping (EVALI) foi identificado pela primeira vez nos EUA em 2019, levando a milhares de hospitalizações. Dados do Instituto do Coração (InCor) revelam que a concentração de nicotina no organismo de usuários de cigarros eletrônicos pode ser seis vezes maior que a de fumantes tradicionais, explicando seu alto poder de vício.