Publicado em: 25 de agosto de 2025
Setor em SC, que movimentou R$ 400 milhões, com destaque para a cidade de Armazém no sul do estado,
prevê ‘efeito cascata’: exportações travadas pelos EUA inundam o mercado interno, desvalorizam o pescado e, a longo prazo, podem reduzir a oferta e aumentar os preços para o consumidor.
A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre a tilápia brasileira acendeu um alerta no setor aquícola de Santa Catarina, quarto maior produtor nacional. Embora o estado venda a maior parte de sua produção para o mercado interno, o bloqueio das exportações de outros estados e de outras espécies para os EUA deve criar um efeito dominó. Com isso, o mercado interno ficará saturado de peixe, pressionando os preços para baixo em um primeiro momento.
A queda no preço pago ao produtor, no entanto, esconde uma armadilha para o futuro. Com a rentabilidade em queda, os piscicultores podem reduzir ou até abandonar o cultivo. Esse desestímulo à produção, somado a um mercado nacional que já enfrenta retração no consumo, pode levar a uma escassez de tilápia a médio prazo. Pela lei da oferta e da procura, menos produto disponível significa preços mais altos nas gôndolas dos supermercados para o consumidor final.
Santa Catarina, que produziu 44,4 mil toneladas em 2024, busca se blindar com programas de incentivo como o ‘Tilápia Forte’ e linhas de crédito com juros zero. Apesar disso, o setor local, concentrado em cidades como Armazém, no Sul do estado, se prepara para sentir os reflexos indiretos da medida americana, que já é vista como mais um golpe em um ano já difícil para os produtores.