Herói de Martelo: Zé Diabo foi um gigante da pedra que Orleans não deixou morrer

Publicado em: 4 de agosto de 2025

Herói de Martelo: Zé Diabo foi um gigante da pedra que Orleans não deixou morrer

Herói de Martelo: Zé Diabo foi um gigante da pedra que Orleans não deixou morrer

Da infância de Zé Diabo à fé esculpida em rocha: a saga do Paredão de Esculturas, obra monumental inacabada que resiste como símbolo de identidade catarinense.

Tudo começou com a memória de um menino fascinado por um paredão de pedras aberto pela ferrovia Dona Tereza Cristina em 1884. José Fernandes, o lendário “Zé Diabo”, sonhava em transformar aquela rocha nua em arte. Anos depois, encontrou no Padre João Leonir Dall’Alba – escultor formado na Itália – o parceiro ideal. Juntos, uniram a genialidade prática do artista autodidata e o rigor científico do sacerdote. Em 1980, martelos e talhades começaram a esculpir na rocha viva de Orleans um projeto colossal: 26 painéis que contariam histórias da Bíblia e do Brasil.

Nove painéis ganharam vida antes que a falta de verbas interrompesse a obra em 1989. Mas o que foi realizado é de tirar o fôlego: imagens esculpidas até 4 metros de altura, com profundidades de até 40 cm na pedra. Destaques como a “Passagem do Mar Vermelho” (50 m², 2 anos de trabalho) mostram Moisés e hebreus fugindo dos soldados do Faraó. Já o “Templo do Rei Salomão” impressiona pela complexidade de figuras sobrepostas. Cenas bíblicas como “A Criação do Homem” e “O Nascimento de Cristo” convivem com episódios históricos como a **”Primeira Missa no Brasil”**, todos entalhados apenas com ferramentas manuais – um testemunho de paciência e mestria.

Inacabado, mas não esquecido, o Paredão é hoje um símbolo de resistência cultural. A comunidade de Orleans, mesmo sem tombamento oficial, abraçou a obra como patrimônio. Equipes do Museu ao Ar Livre Princesa Isabel e do UNIBAVE, com apoio da prefeitura, fazem manutenções anuais para conter a vegetação e a erosão. Mais que pedra esculpida, o Paredão é a materialização de um sonho infantil, uma aliança entre fé e arte, e um lembrete de que grandes histórias – como a do menino Zé Diabo e seu padre-escultor – merecem permanecer de pé.

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