Turismo prevê perda bilionária com cancelamento do carnaval este ano

SÃO PAULO – As atividades relacionadas ao turismo terão uma perda bilionária por não haver oficialmente carnaval neste ano no Brasil. Em 2020, um mês antes de o Brasil entrar na pandemia do coronavírus, o País movimentou R$ 8 bilhões no feriado e gerou cerca de 25 mil empregos. Agora, as entidades ligadas ao setor evitam fazer qualquer projeção, mas sabem que haverá retração gigantesca.

“Será uma movimentação irrisória. Será quase uma perda total do que faturou no ano passado. Não há incentivo dos eventos de carnaval, nem poderia. As empresas também não irão patrocinar qualquer evento que promova aglomeração, ninguém vai atrelar a marca a qualquer evento que possa piorar a pandemia”, disse Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A CNC, todo ano, faz projeções da movimentação financeira no carnaval. Neste ano, a entidade informou que não há como prever nada, sobretudo por conta das diferentes decisões de estados e municípios em relação ao feriado.

Segundo Bentes, o turismo perdeu R$ 261,3 bilhões, de março a dezembro de 2020 – o equivalente a mais de quatro meses de faturamento. Durante a pandemia foram cortados 397 mil empregos formais e o setor opera com 40% do seu potencial de geração de receita. “É um estrago enorme, e a recuperação vai demorar, ficando, provavelmente, para 2022, 2023. Já vimos alguma retomada no comércio, agropecuária, indústria, mas, no setor de serviços, não”, disse.Slide 1 de 7:  Antes. Desfile da Mangueira no sambódromo da Marquês de Sapucaí, em 2020

No Rio de Janeiro e em São Paulo também não há projeções. A iniciativa das prefeituras será para tentar coibir aglomerações que aconteçam em blocos clandestinos na cidade. Na capital fluminense, para evitar a entrada de ônibus, vans e outros veículos de fretamento na cidade, serão montadas barreiras em pontos estratégicos e realizado patrulhamento móvel com reboques.

“O objetivo é impedir que grupos de outros municípios e estados venham para o Rio passar curtos períodos com o intuito de promover ou frequentar blocos clandestinos e eventos afins”, disse o secretário municipal de Ordem Pública do Rio, Brenno Carnevale.

Em São Paulo, a ideia é promover ações online para a população aproveitar o carnaval em casa. São cerca de 380 atividades entre instalações artísticas e apresentações.

“É um carnaval possível no momento em que vivemos. Hoje, o mais importante é resguardar a saúde dos milhares de profissionais envolvidos na festa e dos foliões.”, comenta o Secretário de Cultura da Cidade de São Paulo, Alê Youssef.

Reportagem: João Prata/ESTADÃO

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