Travesseiros NASA: a verdadeira história por trás da tecnologia que virou referência

O chamado “travesseiro da NASA” supostamente leva para sua cama e seu sono a qualidade e a inovação da Agência Espacial dos Estados Unidos – utilizando tecnologia de ponta e ainda o ex astronauta brasileiro e atual ministro Marcos Pontes como garoto-propaganda para garantir uma noite bem dormida. Mas o quanto tudo isso é verdade? Qual é a história desses travesseiros, e o que de fato a NASA tem a ver com isso? Uma reportagem da Revista Galileu levantou algumas respostas para essas interrogações – e, entre inverdades aproximadas e verdades indiretas, a história é astronômica.

A começar pelo acrônimo que sugere que a invenção do produto veio dos cientistas estadunidenses: a NASA dos travesseiros vendidos no Brasil não vem de “National Aeronautics and Space Administration”, que batiza a agência dos EUA, mas sim de “Nobre e Autêntico Suporte Anatômico” – num truque publicitário tão barato quanto evidentemente eficaz. Vale, assim, reiterar o óbvio: não é NASA quem fabrica esses travesseiros, especialmente se considerarmos que nos ambientes de micro gravidade que os astronautas enfrentam – nas viagens ou na Estação Espacial Internacional – os travesseiros são inúteis, e a falta de gravidade torna todos esses “suportes anatômicos” desnecessários.

Mas nem tudo, no entanto, é enganoso nessa propaganda: o material utilizado para a fabricação dos travesseiros de fato foi inventado pela NASA no final dos anos 1960 – quando os engenheiros Charles Yost e Charles Kubokawa foram incumbidos da tarefa de desenvolver uma espuma que tivesse alta dissipação de energia, e que amortecesse ainda mais impactos, para ser usada nos assentos das naves para amenizar o impacto no caso de uma colisão. Assim nasceu a espuma viscoelástica, feita de poliuretano, capaz de se moldar ao corpo e de absorver 340% mais energia do que as espumas de então.

Em 1976 o material foi disponibilizado para o mercado, quando a patente da espuma viscoelástica se tornou pública, e assim os produtos utilizando o material começaram a surgir – o Dallas Cowboys, time de futebol americano do estado do Texas, chegou a utiliza-la em seus capacetes, e rapidamente no Brasil começaram a surgir colchões e travesseiros feitos do material. Os “travesseiros da NASA”como conhecemos hjoje, no entanto, surgiram já em meados dos anos 2000, feitos pela empresa catarinense Marcbrayn – que, depois que Marcos Pontes se tornou o primeiro brasileiro a viajar ao espaço, encontrou seu garoto-progaganda ideal.

Astronauta brasileiro Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional

Pontes trabalhando na Estação Espacial Internacional © CC

Segundo Claudio Marcolino, dono da Marcbrayn, foi a associação de seu produto com o ex astronauta que garantiu o sucesso dos travesseiros. Segundo contou à reportagem da Galileu, o faturamento se multiplicou em cinco vezes depois da contratação – em parceria que segue até hoje, com Pontes trabalhando como Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações do governo Jair Bolsonaro.

 

E os travesseiros seguem um sucesso – apesar da NASA de fato ter pouco ou quase nada a ver com isso.

Kauê Vieira: Redação Hypeness

© Foto :CC

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