Transporte coletivo: dezenas de funcionários demitidos na região

Dezenas de funcionários já foram demitidos nas empresas de transporte coletivo de Criciúma e região. A informação foi confirmada pelos representantes das respectivas empresas. Dentre elas está a Expresso Coletivo Içarense, que opera nos municípios de Criciúma, Içara e Jaguaruna. O gerente da empresa, Elvio Peruchi conta que mais de 20 funcionários já foram desligados na última semana.

Com o decreto que já está em vigor desde segunda-feira, dia 10, que estabelece paralisação por mais sete dias, a tendência é de que mais colaboradores sejam desligados de suas funções. Segundo ele, a cada sexta-feira é uma expectativa para saber se o governador renovará o decreto.

“Provavelmente ainda teremos mais demissões. A gente não consegue fazer um planejamento, porque o decreto estabelece que no dia 17 começa. Mas, e se for estendido mais uma vez? Os planos precisam ser refeitos”, conta Peruchi.

Ele lembra que em agosto, as suspensões de contratos encerraram e, com a ausência do faturamento da empresa, ficou inviável manter o salário integral dos funcionários. “O sistema está à beira de um colapso. Mesmo com o possível retorno nos próximos meses, ele será tímido, o custo vai ser alto a arrecadação não vai pagar o custo operacional”, projeta Peruchi.

“Bode expiatório”

O presidente da Associação Criciumense de Transporte Urbano (ACTU), Everton Trento, alega que o Governo do Estado está utilizando o transporte coletivo como bode expiatório, ou seja, como o principal responsável pelo transmissor de Covid-19. “O problema é o transporte clandestino, que não existe fiscalização. No transporte regular, tudo é feito com segurança, com redução de passageiros e demais cuidados. Neste ano já somamos mais de 120 dias paralisados”, diz Trento.

Trento também é proprietário da empresa ZTL, que realiza transporte coletivo municipal e intermunicipal. Na empresa dele, as suspensões de contratos chegaram ao prazo limite e demissões já aconteceram nessa semana. “Não temos como segurar mais. Não tem receita, não tem como segurar. A gente não tem mais segurança jurídica se vai voltar ou não. A solução foi a demissão porque o prazo do retorno não aconteceu”, explica Trento.

Conforme Trento, a situação é extremamente delicada e ele indica que o ano de 2020 está perdido para o setor. “Como vamos pagar salário se não tem atividade nenhuma?”, indaga Trento. Antes da pandemia, o fluxo de passageiros diário em Criciúma era de 50 mil. No retorno gradativo que houve em junho, esse número iniciou em 4 mil passageiros por dia, registrando um aumento para 7 mil diariamente.

Solução estrutural

No Estado do Rio Grande do Sul, a empresa de transporte Marcopolo inovou na operação. Novos métodos de desinfecção foram desenvolvidos, além da reestruturação interna dos veículos, com assentos mais distantes, com três fileiras de bancos, tornando o espaçamento maior. Além disso, instalou cortinas entre os vãos para que os passageiros tenham uma barreira física, contribuindo para que o contágio do vírus não aconteça.

Porém, de acordo com os proprietários das empresas de transporte da região, é inviável implementar esse tipo de mudança atualmente. “São os novos ônibus que foram remodelados internamente para se adaptarem ao distanciamento. Esses bancos distantes estão sendo implementados apenas em novos veículos que estão sendo produzidos e colocados para operar atualmente”, explica Peruchi. Ele conta que a fabricante começou a produzir os ônibus com três fileiras espaçadas, mas que seria inviável implementar essas mudanças e remodelações nos veículos já produzidos.

TNSul

Foto: Lucas Colombo -Arquivo / TN

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