Tia conta que mulher acorrentada em rio era perseguida em Xanxerê: “psicopata”

A mulher, de 29 anos, já tinha receio do que pudesse acontecer com ela. Em conversa com uma tia, a mulher relatou o medo que sentia do ex-companheiro, que é principal suspeito do crime. Ela foi encontrada morta acorrentada a peças de carro em um rio, e ele se suicidou com um tiro na cabeça.

O corpo de Simone foi localizado boiando no rio Irani, em Xanxerê, na quarta-feira (11), depois do desaparecimento dela desde terça-feira (4). A polícia investiga o caso como feminicídio.

Perseguição

“Ele ia à casa dela, perseguia ela de carro. (…) Quando ela foi na casa dos pais dela, disse que estava sendo ameaçada por ele e que tinha muito medo, mas não queria envolver a família”, diz a tia da mulher.

Incrédula do crime, a tia comenta que Simone teve um caso amoroso com o empresário por pouco tempo. O período foi marcado por discussões. Eles tinham se afastado, mas recentemente voltaram a conversar.

“Ele queria que ela se casasse com ele e fossem morar juntos, mas ela queria uma vida livre, porque já tinha vivido com outro homem por 10 anos”, lembra, que disse também ter sido perseguida pelo homem.

Desde o fim do antigo relacionamento, Simone enfrentava crises de depressão e tomava medicamento. A doença desencadeou logo que ela perdeu a guarda da filha adotiva, de 5 anos, em Curitiba (PR).

Após contato com o Conselho Tutelar de Curitiba, Simone viajaria para a cidade na quinta-feira (12), com objetivo de encontrar a criança.

Quem era Simone

Mulher foi encontrada acorrentada no rio Irani – Foto: Reprodução/ND

Emocionada, a tia conta a dificuldade para digerir e entender a morte cruel da sobrinha. Maria lembra que ela era uma pessoa carinhosa e adorada pela família.

“Era uma pessoa muito querida, calma, meiga, transmitia muito amor para nós. Era carente, onde encontrava uma pessoa que desse carinho, ela se apegava”, relata.

Simone chegou a cursar Direito, mas trancou a matrícula. Atualmente ela trabalhava como autônoma, vendendo roupas e perfumes em Xanxerê. Ela morava sozinha em uma quitinete.

A mulher teve o primeiro relacionamento aos 14 anos, com quem permaneceu 10 anos e adotou a filha com três meses. Após o fim do casamento, Simone se mudou para Xanxerê, onde morava há cinco anos.

Segundo Maria, a sobrinha conheceu o suspeito do crime quando trabalhava de secretária no escritório da empresa dele, uma mecânica.

Desaparecimento preocupou a família

O desaparecimento de Simone foi notado por causa das redes sociais dela, especialmente no WhatsApp, pois ela visualizou pela última vez o aplicativo na terça-feira, às 12h15.

“Ela gostava muito de bolinho e minha prima postou foto no grupo da família, mas ela não falou nada. Ela também gostava de sopa, coloquei no grupo, mas ela também não se manifestou”, relatou a tia.

O desaparecimento de Simone foi registrado por Maria em um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Xanxerê, na quarta-feira (5).

Uma prima de Simone esteve na casa dela e constatou que todos os pertences pessoais permaneciam no local, até mesmo o veículo dela, fato que aumentou a preocupação dos familiares.

“Ela teve um caso com ele, aí ele aprontou algumas coisas. Ela disse que não tinha mais contato com ele, que era tão psicopata que seguia até a mim”, disse a tia.

Simone apareceu machucada

A tia de Simone diz que os pais dela, que moram em Palmas (PR), estão consternados com a morte brutal. “Estão em choque, não se conformam”, conta. Ela acredita que trata-se de feminicídio cometido pelo ex-namorado.

“Imagino que, por ela não querer manter um relacionamento, ele deve ter matado e jogado no rio e depois se suicidou, pois se arrependeu”, comenta Maria.

A mulher, conforme a tia, constantemente aparecia com marcas roxas pelo corpo. “Um dia ela chegou e eu disse: meu Deus, andou apanhando? Aí ela me disse: não, eu me bati. Era uns roxos no braço”, concluiu Maria.

Localização do corpo e investigação 

O corpo foi encontrado no rio Irani, entre Xanxerê e Xavantina. A mulher estava com uma corrente, um cadeado e peças de carro amarrados em volta do pescoço.

Segundo o delegado Albino Souza de Araújo, responsável pela investigação, o corpo foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) para exames cadavéricos, contudo, não há dúvida sobre a identidade da vítima.

“Como o corpo ainda não estava em estado de decomposição, foi possível fazer o reconhecimento físico-visual. Não há dúvidas de que se trata do corpo de Simone”, comentou o delegado.

O corpo estava boiando no leito do rio Irani, dois quilômetros distante de um condomínio residencial. Foi removido para as margens do lago para os procedimentos legais.

“Ao retirá-la da água notamos que ela estava com correntes e peças de carro que faziam com que ela ficasse com parte do corpo submerso neste local”, destacou o capitão dos Bombeiros, Nolan Rafael Volkweis.

Para a polícia, o principal suspeito do crime é o empresário com quem ela manteve um relacionamento.

“Temos uma série de informações que foram colhidas neste período em que a vítima ficou desaparecida, então daremos continuidade nas investigações”, comentou o delegado.

A polícia aguarda o laudo do IML que deve apontar a causa da morte. Para o delegado, a morte está ligada ao relacionamento e considera a possibilidade de feminicídio.

“Essa é a principal linha de investigação. Temos inúmeros indícios quanto ao suicídio e ao desaparecimento da vítima. É fato que Simone teve um caso amoroso com este homem, uma questão mal resolvida”, finalizou Albino.

ND+

Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação/ND

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