São Paulo já tem transmissão comunitária de variante Ômicron do coronavírus

A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo afirmou neste sábado (11) que identificou um quarto caso de Covid-19 pela variante Ômicron do coronavírus, ocorrido em um idoso que não tinha viajado para o exterior. Como o homem de 67 anos contraiu o vírus no seu município de residência, há um sinal de que já existe a transmissão comunitária da cepa no estado, com casos não importados.

Segundo um comunicado distribuído pela secretaria, o paciente se infectou mesmo tendo sido vacinado em esquema completo e recebido a dose de reforço, com Pfizer. Os sintomas relatados para o caso até agora, porém, foram todos considerados leves, e não foi necessária internação. O idoso está isolado em casa, se recuperando.

“O paciente teve diagnóstico positivo para Covid-19 no dia 7 de dezembro, após realizar um teste de PCR, e sua amostra foi submetida a sequenciamento genético, tendo a Ômicron como resultado”, afirma a secretaria.

A vigilância sanitária do estado está agora procurando pessoas que entraram em contato com o homem para tentar identificar novos casos da variante.

Os outros três casos identificados da Ômicron em São Paulo foram em viajantes que haviam desembarcado na cidade e submetidos a teste. Todos foram casos leves, sendo o último deles identificado em 1° de dezembro, num homem de 29 anos, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os outros dois casos haviam sido detectados dois dias antes, em passageiros oriundos da África do Sul, diz a secretaria.

As autoridades sanitárias atribuem a natureza moderada dos casos identificados até agora ao poder protetor das vacinas.

“Os quatro casos de Ômicron identificados em SP até o momento evidenciam manifestação branda da Covid-19, o que pode estar associado ao fato de que todos tinham concluído seu esquema vacinal (ou seja, tinham tomado imunizante de dose única ou duas doses para demais)”, diz o comunicado.

Parar e observar

Especialistas afirmam que o momento em que uma nova variante começa a circular em um local exige cautela por parte das autoridades sanitárias.

Segundo Wladimir Queiroz, diretor clínico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, é importante rastrear contatos de possíveis infectados agora para entender o comportamento da doença.

— Nesta fase, com o primeiro caso de uma possível transmissão comunitária, vale a pena tentar ver qual foi o grau de exposição que essa pessoa teve, onde ela circulou e como ela circulou — diz o médico. — Seria interessante saber se ele esteve em situação de aglomeração, se frequentou algum lugar sem usar máscara.

Para Queiroz, do Emílio Ribas, o fato de os casos até agora serem leves são uma boa notícia, mas ainda precisam ser interpretados com cautela.

 

— O comportamento dessa variante do vírus, neste caso, parece estar seguindo o padrão que a gente tem lido sobre outros casos, e que a doença não se manifestou de forma grave especialmente em quem não foi vacinado — diz.

O médico afirma que agora “o momento é de parar e observar” e que é preciso não avançar nas medidas de reabertura.

— Foi importante cancelar eventos grandiosos de Réveillon. Com relação ao Carnaval, não existe problema programá-lo com antecedência, mas precisamos ter um pé atrás e levar em conta que talvez não dê para fazer.

Administrando incertezas

Para Renato Grimbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor de medicina da Unicid, a chegada da Ômicron não justifica, ainda, um recuo nas medidas de reabertura.

— Não deu tempo ainda de estudar a cepa muito a fundo. O dado mais importante da literatura médica é que essa cepa é mais leve nas pessoas vacinadas — afirma.

— Nós temos nos estados do Sul e Sudeste um coeficiente de pessoas vacinadas muito grande, e se a gente continuar evitando aglomerações e usando máscara, nós esperamos que essa cepa não causará muitos problemas.

Mesmo não defendendo um recuo, o médico é contra avançar nas medidas de abertura agora.

— Ainda existem incertezas, e não é mesmo momento de liberar máscaras e aglomerações, como estava sendo planejado em algumas situações — diz. — O indicador para saber se temos que recuar nas medidas de abertura é o número de internações por casos graves e o número de mortes. Se eles aumentarem, é importante rever as medidas.

Pauta: Fonte das Notícias

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