Restaurantes de BH reabrem com baixo movimento e clientes saudosos

Após mais de 75 dias de portas fechadas, o Café Palhares, restaurante do Centro da capital, retomou suas atividades sem filas nem tumulto, prestigiado por um grupo de clientes antigos.

Muitos deles vieram ao estabelecimento especialmente para comer o famoso kaol – prato mais famoso do cardápio, composto e arroz, feijão, farofa, couve, linguiça e ovo -, servido no tradicional balcão da casa. “Confesso que estou sentindo falta da cervejinha para acompanhar o almoço. Mas, já que não pode, vamos só de pf (prato feito) mesmo. Eu venho aqui desde menino, senti muita falta”, relata o comerciante Ramon Henrique, de 38 anos. Ele diz que frequenta o Palhares há duas décadas.

O gerente André Palhares comemora a fidelidade da freguesia, mas confessa que esperava maior movimento. “Sabíamos que hoje ia ser mais fraco, mas achava que ia encher mais um pouco”, comenta.

Para a reabertura, o restaurante fez diversas adaptações no ambiente, como instalação de divisórias de acrílico e controle do fluxo de pessoas. Dos 24 lugares disponíveis no Palhares, apenas dez podem ser ocupados. André prevê recuperação de ao menos 30% do faturamento perdido nos últimos cinco meses. “Antes da pandemia, chegávamos a vender 400 pratos por dia. Com o fechamento, passamos a vender 120 no delivery. Esse número deve subir mais uns 30%”, calcula.

Também especializado em pratos feitos, o Mineirinho, instalado há 34 anos na Rua Espírito Santo, funcionava com várias mesas vazias por volta do meio-dia desta segunda. “O pessoal está devagar. Uma hora dessa, antes da pandemia, isso aqui estaria lotado. Espero que, durante a semana, (o movimento) dê uma melhorada”, pondera o gerente José Alves.

Habitué do local, o operador de máquinas Wandeir Silva veio de Contagem, na Região Metropolitana, apenas para degustar seu prato predileto: arroz, feijão, bife e batata frita. “Deve ter 12 anos que venho aqui. Costumava descer para cá aos finais de semana, para almoçar e assistir jogos. Essa também sempre foi minha parada predileta, sempre que precisava vir ao Centro resolver algum problema. Hoje, vim mesmo para matar a saudade da comida”, afirma o homem de 59 anos.

O caminhoneiro Carlos Alberto também veio de longe para almoçar no Mineirinho: ele mora Bairro Gameleira, Região Oeste da capital, a cerca de 7 quilômetros do Centro. Esperto, deu um jeito de driblar a proibição ao consumo de bebidas alcoólicas imposta pela PBH. Carlos Alberto trouxe a própria cerveja para consumir do lado de fora do restaurante. “Depois que eu terminar, entro para forrar o estômago”, brinca.

Alguns restaurantes do Centro vendiam álcool, prática vedada pelo Decreto 17.416, editado pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) em 21 de agosto. Não havia agentes de fiscalização presentes nas ruas percorridas pelo Estado de Minas esta manhã.

Na Praça Marília de Dirceu, reduto da alta gastronomia em Belo Horizonte, pouquíssimos restaurantes funcionaram nesta segunda-feira (24). Entre eles, o Olga. Por volta das 13h, havia pouco mais de cinco mesas ocupadas no estabelecimento. O proprietário Matheus Mourtè credita o baixíssimo movimento ao dia da semana. “Hoje é segunda-feira, a maioria dos restaurantes aqui abre a partir de terça. Dentro das atuais circunstâncias, o retorno, do meu ponto de vista, corre dentro do esperado” analisa.

Os pratos executivos são vendidos pelo preço médio de R$ 30. O empresário prefere não fazer projeções de ganhos para os proximos meses, mas relata que o faturamento do negócio chegou a zero. “É um momento difícil. Precisei demitir parte os meus funcionários e, agora, lutamos para nos reeguer. O retorno será lento, mas, enfim, chegamos até aqui. Espero que o pior já tenha passado”, avalia.

Reportagem: eM,

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