Reabertura de escolas volta a motivar alunos, diz pesquisa

Mais animados, otimistas e interessados pelo estudo. Esses são os efeitos que a reabertura das escolas e a retomada das salas presenciais causaram nos estudantes, de acordo com uma pesquisa encomendada pela Fundação Lemann, o Itaú Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao Datafolha.

Desde o início da pandemia, as entidades vêm monitorando com pais de alunos a motivação dos filhos para o estudo. Quando se compara os resultados entre o grupo que voltou para o ensino presencial e o que ainda permanece no ensino remoto, se torna evidente que a reabertura das escolas causa efeitos positivos nas crianças e adolescentes: 58% dizem que os filhos que ficaram em casa estão desmotivados, já para quem voltou à sala de aula, o número cai para 50%.

Apesar do dado positivo, metade dos alunos ainda não voltou ao ritmo normal dos estudos, o que preocupa os analistas. “A situação ainda é de insegurança. Muitas crianças e jovens se perguntam: ‘será que vou chegar à escola e não saber a materia?’. Isso não vai ser resolvido no curto prazo. É preciso ter tranquilidade e não colocar pressão em alunos e professores”, diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann.

Apesar das dificuldades, outros aspectos demonstram que a retomada do ensino na sala de aula é fundamental para recuperar o tempo perdido: 70% dos pais relatam que os filhos que ainda estão em casa tiveram mais dificuldades em estabelecer uma rotina de estudos , já no presencial, o número cai para 58%. Entre os que não tiveram as escolas abertas 48% temem que os filhos desistam da escola, ao passo que o percentual é de 38 pontos entre os que voltaram para as fileiras escolares.

De acordo com os responsáveis, 65% das instituições de ensino foram reabertas. A maioria em sistema de rodízio. Esse processo é mais intenso na  região Sul do pais. No nordeste, muitos alunos ainda não voltaram às salas de aula. Para 73%, a recuperação das aprendizagem é o principal motivo para  retomada. Já 22% apontam a convivência com alunos e professores como sendo o mais importante. A distância entre a escola e as famílias, no entanto, ainda é significativa. Após um ano de pandemia, 51% sentem que a escola está menos próxima dos pais.

“Antes da pandemia muitos pais sentiam que se o filho estivesse na escola, sendo bem alimentado, com uniforme e transporte escolar assegurado, a escola era boa. Agora, a questão pedagógica entrou de vez no radar dos responsáveis, esse é um aspecto positivo do quadro atual”, destaca Daniel.

A pesquisa ouviu 1.301 pessoas com filhos nas escolas públicas, ente 13 e 16 de agosto, por meio de contato telefônico.

Reportagem: Ricardo Ferraz/VEJA.com

Erro, não existe o grupo! Verifique sua sintaxe! (ID: 4)
Erro, não existe o grupo! Verifique sua sintaxe! (ID: 5)

ÚLTIMAS NOTÍCIAS