Número atípico de baleias-jubarte está sendo avistado no litoral de SC

Enquanto as baleias-franca utilizam a costa de Santa Catarina para ter seus filhotes, as baleias-jubarte migram até o sul da Bahia. A ocorrência das baleias-jubarte no litoral catarinense não é rara, já que estes animais passam pela região durante a migração, entretanto neste ano um fenômeno atípico aconteceu, um grande número desta espécie está sendo avistado próximo à costa.

Durante o período migratório, as baleias-jubarte se deslocam da região Antártica para o sul da Bahia e norte do Espírito Santo, então consequentemente o litoral catarinense pode fazer parte da rota migratória desta espécie, mas o por que elas se aproximaram tanto da costa e por que estão permanecendo na região é motivo de investigação.

e acordo com Karina Groch, Diretora do Projeto ProFRANCA, patrocinado pela Petrobras, “não podemos excluir também o fato de que a presença das jubartes na região pode estar associada a fenômenos oceanográficos. A temperatura da água do mar durante o outono e início do inverno de 2021 estavam consideravelmente acima da média, o que pode ter incentivado esses animais a se aproximarem da costa.”

Outra hipótese levantada por pesquisadores é que devida a atual recuperação populacional, as baleias-jubarte estão ocupando novas áreas. “Sabemos que as baleias-jubarte apresentam um crescimento populacional consideravelmente superior ao das baleias-franca. Enquanto as francas crescem a uma taxa de 4,8% ao ano, as baleias-jubarte apresentam taxas que chegam a 12%. E este crescimento mais acelerado pode ocorrer pelo fato das jubartes possuírem ciclos reprodutivos menores, podendo ter um filhote a cada dois anos enquanto as baleias-franca possuem um filhote a cada três anos”, explica Eduardo Renault, gerente do ProFRANCA.

Atualmente a população de baleias-jubarte está estimada em mais de 20.000 indivíduos e a ocorrência no litoral catarinense pode ser uma resposta a este crescimento. Já a população de baleias-franca está estimada em aproximadamente 550 fêmeas reprodutivas. Estudos com outros cetáceos indicam a existência de áreas ideais para a reprodução, onde existiria uma maior concentração de mães com filhotes, e as regiões periféricas a este núcleo, seriam ocupadas por indivíduos de outras classes, como, juvenis. “Podemos levantar a hipótese que em 2021 o litoral catarinense trata-se de uma destas regiões periféricas, o que inclusive é suportado pelo fato da maioria dos indivíduos que tem sido avistados se tratar de baleias-jubarte juvenis. Porém ainda estamos no início da temporada reprodutiva de baleias no Brasil para darmos suporte a esta hipótese”, conclui Eduardo.

Para facilitar o reconhecimento das espécies, preparamos um material que mostra as principais diferenças entre essas gigantes.

BALEIA-FRANCA:

Comprimento: até 18m.

Peso:até 60 toneladas.

Coloração: corpo preto ou acinzentado, pode ter manchas brancas e cinza no ventre e no dorso, sem pregas ventrais.

Dorso:reto e liso, sem nadadeira dorsal.

Nadadeira peitoral:lisa, curta e larga em forma de trapézio.

Nadadeira caudal:toda preta com borda lisa.

Cabeça: com calosidades colonizadas por ciamídeos (piolhos-de-baleia), possibilitando a identificação individual.

Borrifo:tem formato da letra “V”.

Boca: linha da boca com o perfil bastante arqueado.

BALEIA-JUBARTE:

Comprimento:até 16m.

Peso:até 40 toneladas.

Coloração:Corpo preto ou acinzentado no dorso, com mancha branca e pregas no ventre.

Dorso:com uma corcunda e uma pequena nadadeira dorsal sobre ela.

Nadadeira peitoral:longa, chegando a 1/3 do comprimento do corpo, com borda serrilhada.

Nadadeira caudal: preta no dorso e branca e/ou preta no ventre, com borda serrilhada.

Cabeça: com pequenos tubérculos.

Borrifo: borrifo tem formato de balão.

Boca: linha da boca com o perfil pouco arqueado.

Monitoramento terrestre 

Neste ano, o monitoramento terrestre do Projeto ProFRANCA será realizado em 15 praias no sul de Santa Catarina, desde o Cabo de Santa Marta, em Laguna, até a praia da Pinheira, em Palhoça. Esse monitoramento terá auxilio de 15 estagiários que chegarão em Imbituba a partir da terceira semana de julho. Todos vão participar de um treinamento de duas semanas para dar início ao monitoramento sistemático. O monitoramento a partir de terra é uma das ações do ProFRANCA e só é possível através do patrocino Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e da parceria do Projeto com pousadas e hotéis da região, bem como uma nova parceria que está sendo iniciada com a Prefeitura do município de Palhoça.

Temporada reprodutiva

A temporada das baleias-franca normalmente vai de julho a novembro, com pico de ocorrência em setembro, porém algumas baleias podem chegar mais cedo, passar pela região, ou até mesmo já permanecer nas enseadas, no caso de fêmeas após o nascimento dos filhotes.

Se você avistar uma baleia, nos avise. Para acompanhar as avistagens acesse www.baleiafranca.org.br/avistagens. No site você também pode enviar informações e imagens, e colaborar com o nosso trabalho. Acompanhe nossas redes sociais @institutoaustralis para ficar por dentro das nossas atividades!

O ProFRANCA – Projeto Franca Austral é realizado pelo Instituto Australis e conta com patrocínio @Petrobras por meio do #ProgramaPetrobrasSocioambiental

créditos fotos Baleia-Franca: Projeto ProFRANCA / Instituto Australis
créditos fotos Baleia-Jubarte: Enrico Marcovaldi, Sérgio Cipolotti e Eduardo Melo / Projeto Baleia Jubarte

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