Nigéria apreende 17 toneladas de escamas de pangolim; papel do animal na pandemia de covid é investigado

Um número recorde de partes de corpos de animais silvestres foi encontrado em uma apreensão realizada pelo governo da Nigéria, na última semana. Os traficantes transportavam 44 quilos de presas de elefantes, além de 60 kg de garras e mais 17 toneladas de escamas de pangolim.

De acordo com o coronel Hameed Ibrahim Ali, responsável pela operação, a carga ilegal foi avaliada em 22,3 bilhões de nairas nigerianas, o equivalente a 54 milhões de dólares.

O pangolim é um animal cuja genética pode estar ligada, segundo pesquisadores do mundo todo, ao desenvolvimento do Sars-CoV-2, o coronavírus causador da covid-19. Embora não comprovado, acredita-se que o vírus possa ter surgido da combinação genética e seleção evolutiva de morcegos e pangolins.

Conforme publicado na revista Science Advances, em junho de 2020, quando os estudos começaram a avançar, “reduzir ou eliminar o contato direto humano com animais selvagens é fundamental para evitar novas zoonoses por coronavírus no futuro”.

A busca pelo Pangolim

Os criminosos, é claro, ignoram as recomendações dos cientistas, uma vez que o pangolim está ameaçado de extinção e é hoje um dos mamíferos mais visados pelo tráfico. Isso acontece pois, na China, acredita-se que as escamas do animal tenham propriedades medicinais.

O país asiático finalmente retirou o animal da lista de ingredientes utilizados na medicina tradicional em 2020, após a divulgação da suspeita de que o consumo de pangolim poderia estar associado ao surgimento da covid-19.

Cascas de pangolins podem ser encontradas com traficantes de todo o mundo. Estas foram na Indonésia

O coronel Hameed Ibrahim Ali declarou em pronunciamento que três estrangeiros foram presos pelo tráfico de partes do pangolim e de elefantes. Um quarto suspeito está sendo procurado. Ele afirmou ainda que a operação coordenada por ele conta com a ajuda de oficiais dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Diagnóstico inconclusivo sobre covid  

O pangolim se tornou “suspeito” da propagação do SARS-COV-2 após cientistas chineses anunciarem que detectaram 99% de semelhança entre os vírus encontrados no animal com o causador da covid-19.

Mas, depois que o estudo foi publicado, muito se falou sobre uma falha na maneira com que a informação foi divulgada – o que pode, digamos, inocentar o animal. Essa porcentagem de semelhança só se referia a uma parte do código genético do vírus – a sequência responsável por codificar as proteínas “spike” da coroa viral, que é usada para parasitar as células.

Já o genoma inteiro do coronavírus animal tinha “somente” 90,3% de semelhança com o vírus humano. Parece muito, mas para os cientistas não é o suficiente para afirmar que os pangolins são a origem da doença. Por isso, esta afirmação ainda é inconclusiva.

Redação Hypeness

Fotos: Getty Images

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