MUNDO | Falta de mão de obra por COVID-19 freia recuperação na Índia

Apesar das promessas de aumento salarial, as empresas indianas têm dificuldade para atrair milhões de trabalhadores migrantes que fugiram das cidades no início da pandemia e continuam a temer o coronavírus, o que atrasa a recuperação econômica da Índia.

Esses trabalhadores, procedentes das partes mais pobres do país, são a espinha dorsal da terceira maior economia da Ásia.

O confinamento decretado no final de março para conter a pandemia deixou muitos trabalhadores na rua. Privados de trabalho, eles não tiveram outra escolha a não ser voltar para suas cidades de origem com suas famílias.

Essa ausência está sendo sentida agora.

Os arranha-céus de Mumbai, por exemplo, foram construídos, em sua maioria, por operários de estados muito mais pobres, como Uttar Pradesh, Bihar e Odisha, que também fornecem mão de obra abundante para funções como agentes de segurança, cozinheiros, ou empregadas domésticas.

Operários migrantes trabalham em obra de construção em Mumbai, na Índia, em 22 de julho de 2020© INDRANIL MUKHERJEE Operários migrantes trabalham em obra de construção em Mumbai, na Índia, em 22 de julho de 2020

As autoridades do estado de Maharashtra, cuja capital é Mumbai, estimam que 80% dos trabalhadores da construção civil deixaram a capital financeira, quando as obras foram paralisadas na primavera (outono no Brasil).

Quatro meses depois, quando algumas restrições foram suspensas, alguns trabalhadores retornaram, embora mais de 10.000 canteiros de obras estejam praticamente parados, devido à falta de mão de obra.

– Passagem aérea grátis –

“Fazemos todo o possível para que os trabalhadores voltem, inclusive oferecendo passagens aéreas, seguro de saúde contra a COVID-19 (…), consultas médicas semanais”, conta o promotor imobiliário Rajesh Prajapati.

“Mas tudo continua na mesma”, acrescentou.

O grupo Hiranandani, um gigante do setor imobiliário, continuou a pagar seus funcionários durante o confinamento – o que é incomum – e teve um pouco mais de sucesso em reter sua força de trabalho.

Conseguiu, no entanto, convencer apenas 30% de seus 4.500 trabalhadores a permanecerem nas obras.

“Cuidamos deles, de sua alimentação, de sua segurança, de lhes fornecer instalações sanitárias. Temos até creches móveis para crianças”, disse à AFP o cofundador do grupo, o bilionário Niranjan Hiranandani.

Diante do colapso da economia, o primeiro-ministro Narendra Modi se apressou para levantar as restrições para as empresas, apesar de a pandemia se acelerar na Índia, com cerca de 1,5 milhão de casos.

Mais de 31.000 pessoas morreram de COVID-19 no país, o sexto maior balanço de óbitos do mundo.

Muitos especialistas consideram que estes números são ainda maiores.

Apesar da flexibilização das restrições, os economistas são pessimistas em relação às empresas indianas, que enfrentam dificuldades financeiras, projetos abortados e escassez de mão de obra.

– Demanda por imóveis desaba –

A demanda imobiliária caiu cerca de 90% em Mumbai. E as perspectivas não são melhores em outros setores.

O secretário-geral da Associação de Exportadores de Produtos Têxteis do Rajastão, Aseem Kumar, descreve, em conversa com a AFP, um setor em “completa desordem”.

Sua organização agrupa 300 oficinas que exportam roupa para Estados Unidos e Europa, ou Japão. Muitas empresas prometeram a seus funcionários moradia, seguro, ou aumentos de 20% para voltassem ao trabalho, mas sem grande sucesso.

“A maioria dos pedidos foi adiada para o próximo ano, porque não há trabalhadores disponíveis”, diz ele.

O caos nos transportes faz muitos trabalhadores que estão dispostos a retomar sua atividade, apesar dos temores de contágio, não conseguirem retornar.

Shambu, um trabalhador da construção civil, que voltou para seu estado de Odisha, disse à AFP que sua família está à beira do abismo desde que deixou Mumbai. Agora, tentam sobreviver com 200 rúpias (US$ 2,5) por semana.

“Metade das pessoas que conheço está disposta a voltar ao trabalho, se os trens voltarem a funcionar”, diz esse homem de 27 anos.

“É melhor trabalhar em uma cidade grande do que morrer de fome na minha”, acrescenta.

vm/amu/stu/jac/cr/me/tt / AFP

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