Ministério da Saúde deve apresentar plano de vacinação contra Covid-19 em novembro

BRASÍLIA (Reuters) – O governo brasileiro deve apresentar até 30 de novembro um plano detalhado de vacinação contra a Covid-19, incluindo uma provável campanha nacional para iniciar a imunização até 20 de janeiro, afirmou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), após participar do encontro com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e demais governadores, nesta terça-feira.

“Até final de novembro, uma câmara técnica que foi criada… vai apresentar o detalhamento da estratégia de vacinação de maneira que a gente tenha tempo para a implementação disso”, disse o governador em entrevista à Reuters após o encontro.

“Você vai ter que cuidar de investimentos já de agora para garantir a armazenagem, qualificação e treinamento das equipes que vão fazer a vacinação. E o outro ponto é a perspectiva de até meados de janeiro, por volta de 15 a 20 de janeiro, ter o início do processo de vacinação, pode ser até antes, mas de forma até conservadora o calendário colocado este é o patamar”.

Segundo Dias, o ministério concordou com a sugestão apresentada por governadores para que haja uma ordem de prioridade para tomar a vacina e que ela seja agendada. A intenção é imunizar primeiro quem tem comorbidades ou mais de 60 anos, grupo responsável pela maioria das mortes por Covid-19.

No encontro, Pazuello disse que a potencial vacina chinesa da Sinovac contra a Covid-19 será incorporada ao Programa Nacional de Imunizações, a despeito das críticas do presidente Jair Bolsonaro ao imunizante que será produzido no país pelo Instituto Butantan, de São Paulo, vinculado ao governo do desafeto João Doria (PSDB).

O governo federal se comprometeu a comprar 46 milhões de doses da vacina produzida pelo Butantan até dezembro de 2020, segundo notas do ministério e do governo paulista, para a primeira etapa de vacinação, após a aprovação da Anvisa. Segundo Dias, deve haver o prosseguimento de outras 60 milhões de doses em janeiro.

Na reunião, segundo o governador, foi dito que a expectativa é que a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford –a primeira contratada pelo Ministério da Saúde e que era a principal esperança de imunização do país– deverá ficar pronta apenas em fevereiro.

Questionado sobre a politização envolvendo a questão das vacinas, Dias minimizou. “A gente saiu com coisas concretas. Independentemente de partidos, quem é governo e é oposição, estamos tratando de salvar vidas”.

OBRIGATORIEDADE

O governador disse que o ministério deverá realizar uma campanha de vacinação, com apoio dos Estados, mas ponderou que Pazuello frisou que não haverá obrigatoriedade no uso do imunizante — em linha com o que tem dito publicamente Bolsonaro.

“O ministro, em dado momento, colocou que da parte do ministério a ideia é de não ter essa obrigatoriedade, mas haverá a vacina para todos que queiram se vacinar”, afirmou.

Durante a confecção do plano, segundo o governador, as autoridades devem passar um pente-fino nos 51 mil postos de saúde que existem no Brasil a fim de avaliar quais deles estão aptos a receber tecnicamente as vacinas.

A intenção é que, de acordo com o governo, haja um controle para que uma pessoa que tome uma dose da vacina produzida pelo Butantan receba a segunda dose do mesmo laboratório, e que isso ocorra também com o imunizante da AstraZeneca, que será elaborado no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz, e quaisquer outras vacinas que venham entrar para o programa de imunização.

Esta reportagem é d REUTERS/Repórter/Ricardo Brito

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