Minas desenvolverá vacina

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o governo estadual vão contar com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para o desenvolvimento de vacina contra a COVID-19 em Minas. A reitora Sandra Regina Goulart Almeida e o vice-governador Paulo Brant foram recebidos na quinta-feira, em Brasília, pelo ministro Marcos Pontes, acertando parceria que deve promover incremento nas pesquisas realizadas pelo Centro de Tecnologia em Vacinas (CT-Vacinas) da UFMG e instituições vinculadas ao governo do estado.

Se tudo ocorrer como previsto, os testes em humanos seriam iniciados até o final deste ano. Segundo Sandra Almeida, o objetivo do esforço conjunto é viabilizar o desenvolvimento de imunizantes nacionais, o que reduzirá a dependência do Brasil com relação a vacinas e insumos produzidos no exterior. “O CT-Vacinas da UFMG tem tido papel importante na testagem diagnóstica e está trabalhando no sentido de desenvolver uma vacina nacional para a COVID-19, além de outros estudos relevantes para o campo das vacinas.” Em nota distribuída pela UFMG, o ministro Marcos Pontes exalta a importância da tecnologia nacional: “É importantíssima para o estado e para o país e tem grande relevância para ciência brasileira”.

Já o vice-governador Paulo Brant disse que a iniciativa conjunta “dá esperança à sociedade brasileira em meio à pandemia”, apontando o trabalho coletivo. “Esse esforço vai contar com o governo de Minas, com o MCTI e com outras instituições, públicas e privadas, e logo poderemos dar ótimas notícias para os brasileiros”, afirmou. A parceria deverá garantir a sequência de um trabalho que começou no início de 2020, antes mesmo de declarada a pandemia. A equipe do CT-Vacinas logo se organizou para desenvolver o imunizante contra o Sars-CoV-2, e em março o projeto já estava pronto. Em maio, os recursos foram liberados pela Finep, e pouco depois o grupo iniciava os testes com as diversas plataformas vacinais. Depois da identificação e produção em pequena escala dos antígenos (adenovírus, proteínas recombinantes e outros) e dos testes bem-sucedidos de imunogenicidade em camundongos, o CT-Vacinas está pronto, segundo a professora Ana Paula Fernandes, uma de suas coordenadoras, para iniciar os testes clínicos.

As fases 1 e 2, de imunogenicidade e segurança em humanos, devem demandar investimento de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. Para a fase 3 ainda não há orçamento. A previsão, segundo Ana Paula, é de que “se tudo der certo, com a colaboração de todas as partes envolvidas”, os testes em humanos sejam iniciados até o fim deste ano. VETORES VIRAIS O desenvolvimento do imunizante do CT-Vacinas da UFMG adota tecnologia semelhante à utilizada pela Universidade de Oxford, que trabalha com vetores virais (vírus não patogênicos para os seres humanos) capazes de codificar proteínas do coronavírus sem causar a doença, mas estimulando a produção de anticorpos e células de defesa. De acordo com o professor Flávio Fonseca, que também compõe o grupo de coordenação, a diferença básica entre a vacina que está sendo produzida na UFMG e a de Oxford é a utilização, pelo CT-Vacinas, de outros vetores virais, além do adenovírus.

Ana Paula Fernandes destaca que o CT-Vacinas e outros centros brasileiros têm plena capacidade de produzir vacinas, reduzindo a necessidade de trazer de fora esses produtos. “É preciso quebrar a cultura de importação de imunizantes que impera no Brasil. Os resultados promissores que obtivemos até agora demonstram que temos competência multidisciplinar, dominamos as diversas plataformas vacinais e contamos com ferramentas que estão disponíveis nos grandes centros de pesquisa estrangeiros”, afirma a cientista, ressaltando ainda a importância do financiamento de longo prazo que viabilizou as pesquisas nesse campo ao longo das últimas décadas.

Reportagem: Gustavo Werneck/Em.com.br

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