Médicas Veterinárias do Centro Universitário da Serra Gaúcha avaliam os casos de coronavírus em animais

Docentes Camila Machado e Manoela Bianchi explicam que o coronavírus dispõe de diferentes espécies e subtipos; Especialistas apontam que raros casos são descritos de que animais podem ficar doentes, e que, no momento, não há evidências de transmissão do vírus Sars-CoV2 (Covid 19) dos animais aos humanos, mas ressaltam que pessoa infectada deve evitar contato com seus pets.

Segundo as médicas veterinárias Camila Machado e Manoela Bianchi, que lecionam no referido curso de graduação do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, apesar de a população em geral ter tomado conhecimento do Coronavirus em função da pandemia, este tipo de vírus é um velho conhecido da profissão.

Manoela explica que existem diferentes espécies e subtipos de coronavirus, os quais podem causar doenças em certos tipos de animais como, gado, camelos, morcegos, cães e gatos. A professora explica, que em cães, por exemplo, a doença infecciosa respiratória envolve diversos vírus e bactérias, que muitas vezes podem atuar de forma sinérgica, e que entre eles, há uma espécie de coronavirus respiratório.

“Esta cepa raramente foi citada como patogênica e quando encontrada como causadora de doença respiratória infecciosa canina está sempre associada a outros microrganismos e possui baixo poder patogênico. Cães também são acometidos pelo coronavirus entérico, que é associado a sintomas como: diarreia leve e transitórias, e associado a outros microrganismos causadores de enterites virais como o parvovirus. Para esta cepa existe uma vacina que é administrada no protocolo vacinal iniciada em animais jovens, entre 45 e 60 dias de idade. Já os felinos podem ser acometidos pelo coronavirus felino causador de uma doença chamada Peritonite Infecciosa felina, que pode cursar com os sintomas de fluido em tórax e abdômen, febre, vomito, perda de apetite, diarreia e convulsões.  A doença não tem cura e costuma ser fatal”, explica.

A médica veterinária Camila Machado explica ainda que nenhum desses coronavírus são transmissíveis aos humanos e não possuem relação com o sars cov2. Por outro lado, apesar de não existir evidências científicas de que pets podem transmitir o vírus SARS-CoV2 aos humanos, a docente aponta que há casos descritos de que animais podem ficar doentes, como o caso nos Estados Unidos de um tigre que testou positivo para Covid-19, em um zoológico de Nova York. A especialista orienta que uma pessoa infectada, deve sim evitar o contato com os animais.*

“A pessoa infectada ou suspeita de infecção de Covid-19 deve diminuir ou evitar o contato com o seu pet. Diminuir o contato não significa tirar os animais de casa ou se afastar das funções de tutor. A rotina de cuidados precisa ser mantida, como oferta de alimentação e água fresca, cuidados com saúde e a higiene, garantia de acesso a locais em que possam fazer suas necessidades básicas. A indicação refere-se à necessidade de evitar contatos mais próximos, como dormir com o animal na cama, beijá-lo ou mantê-lo no colo. Recomenda-se que as pessoas aumentem os cuidados com higiene, como lavar as mãos com frequência e utilizar a máscara quando for interagir com os animais”, esclarece.

Por fim, as especialistas concordam que ainda outros estudos são necessários para entender como diferentes animais podem ser afetados pelo Covid-19, mas que há sim evidências que animais, mesmo não transmitindo o vírus para os humanos, podem ser afetados pela doença a partir dos humanos.

*ABANDONO DE ANIMAIS É CRIME PREVISTO EM LEI artigo 32 da lei 9.605/98

Reportagem: XCOM Agência de Comunicação FSG/Deiwerson Damasceno 

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