Laboratório é construído em 40 dias em Santa Catarina para ajudar a realizar testes em massa para coronavírus

Startup BiomeHub, de Santa Catarina, inaugura espaço em tempo recorde e com capacidade de processar cerca de duas mil amostras, por dia, para detecção do novo coronavírus

A BiomeHub, startup de Florianópolis (SC) especializada em tecnologia para a Saúde, construiu em tempo recorde um laboratório que está ajudando na realização de testes para a detecção do novo coronavírus (SARS-CoV-2). A obra teve investimento de R$ 2 milhões e demorou 40 dias para ser concluída. Toda a estrutura foi levantada e os equipamentos laboratoriais instalados entre os dias 4 de abril e 13 de maio de 2020. O espaço já está em operação e será inaugurado oficialmente neste mês.

A construção de um novo laboratório já estava prevista neste ano para a expansão da startup, que desde 2019 é uma spin-off da empresa de biotecnologia Neoprospecta, mas foi acelerada devido ao surgimento da COVID-19. De acordo com Luiz Felipe Valter de Oliveira, doutor em Genética e Biologia Molecular e CEO da BiomeHub, a antecipação tem como objetivo ampliar a capacidade de realização de testes do novo coronavírus em pessoas assintomáticas e apoiar o sistema de saúde público e privado no combate à pandemia.

“A estrutura e os equipamentos do novo laboratório contam com capacidade máxima de processamento de cerca de 2.000 amostras por dia (60 mil ao mês) para a detecção do vírus por PCR em Tempo Real. Assim, a BiomeHub poderá ajudar a sociedade brasileira no enfrentamento da pandemia, associando sua qualidade e inovação em análises por biologia molecular à necessidade de escalabilidade de testes diagnósticos para a COVID-19”, afirma Oliveira.

Ainda segundo ele, mesmo em tempo recorde, o laboratório foi concebido obedecendo todos os padrões de construção para laboratórios clínicos com estrutura para aplicações na área de biologia molecular, o que vai possibilitar continuar as atividades relacionadas às análises já demandadas pelos clientes da startup antes da pandemia. Isso inclui a pesquisa do microbioma intestinal por sequenciamento de DNA (Probiome) e a pesquisa do microbioma de ambientes hospitalares por sequenciamento, para controle de infecções hospitalares.

O prédio foi projetado por profissionais ligados à engenharia, arquitetura e técnicos em construções relacionadas a área da saúde. No local os trabalhos serão liderados por pesquisadores especializados nas áreas de biologia molecular aplicada à saúde humana, microbiologia, nutrição, bioinformática e tecnologia da informação.

Estrutura interna tem segurança reforçada para manuseio das amostras

O laboratório da BiomeHub é de acesso restrito e para entrar nas áreas operacionais, um vestiário possibilita que os colaboradores vistam a primeira etapa do equipamento de proteção individual (EPI), que é composta por roupa privativa, sapatos de uso laboratorial e touca. Após higienização das mãos, o colaborador passa por uma segunda etapa de paramentação com jaleco descartável, óculos e máscara de proteção,  para então se dirigir à uma das salas de processamento laboratorial, onde a última etapa de paramentação ocorre, as luvas descartáveis próprias para a manipulação de produtos químicos ou biológicos.

O processamento laboratorial inicia na Sala de Recebimento de Amostras, onde são recebidas amostras biológicas, realizada a conferência de dados, analisados critérios de aceite e rejeição das amostras, cadastro no sistema informatizado laboratorial, armazenamento temporário de amostras biológicas e destinação das mesmas para o processamento laboratorial.

No caso específico de amostras suspeitas para COVID-19, nesta sala ocorre apenas a conferência da caixa primária de transporte. A caixa secundária de transporte é direcionada para a  Sala de extração de ácidos nucleicos, onde é aberta em Cabine de Segurança Biológica (CBS) NB2, para conferência das amostras a serem processadas. As CBS NB2 permitem a manipulação em ambiente estéril de material potencialmente contaminado com agentes biológicos compatíveis com a classificação de biossegurança nível 2 (como o SARS-CoV-2), garantindo a segurança biológica tanto para o operador como para o ambiente.

Posterior a isso, o material passa por uma sala de extração de ácidos nucleicos; sala de preparo de soluções; e sala de PCR e Sequenciamento, onde são realizados os testes. Os resultados obtidos a partir dos equipamentos (PCR em Tempo Real ou Sequenciamento) são processados e armazenados em segurança em cloud computing, utilizando pipelines próprios de bioinformática.

Em seguida, na Sala de interpretação e laudos, os responsáveis pela interpretação dos resultados das análises realizadas conferem e interpretam os dados. A última etapa é a elaboração dos laudos e relatórios a partir dos resultados obtidos, que são disponibilizados no sistema laboratorial para envio aos clientes.

Luan Martendal / Assessoria de Imprensa

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