Nos EUA, 99% de mortes por covid são de pessoas que não se vacinaram

Os evidentes – e trágicos – efeitos do negacionismo e do movimento antivacina já são medidos em todo o mundo, e nos EUA já se diz que uma nova onda da pandemia vem se dando de forma inclemente e ao mesmo tempo localizada: exatamente entre aqueles que se recusaram a tomar o imunizante devido. No país que vacinou completamente metade de sua população, ainda que o número de casos letais venha caindo de modo geral justamente por conta da vacinação, os números de infecções vêm crescendo nas últimas semanas, e provocando mortes desenfreadas justamente nas regiões onde a resistência à vacina é maior.

O preocupante quadro pandêmico atual nos EUA foi reportado pela BBC, mostrando que hoje a pandemia cresce e se espalha em especial nos estados reconhecidamente mais conservadores – em fenômeno que o que assessor da Casa Branca para doenças infecciosas, Anthony Fauci, chamou recentemente de uma “pandemia entre os não vacinados”. Segundo o médico Vivek Muthy, porta-voz do país para saúde pública, no momento 99,5% das cerca de 3 mil mortes semanais que ainda sucedem nos EUA por conta da Covid-19 se deram entre pessoas que não foram ainda vacinadas.

Vacinação nos EUA

Jovem recebe dose na Califórnia, um dos estados com mais alto índice de vacinação no país

Os EUA atualmente contabilizam cerca de 165 milhões de pessoas totalmente vacinadas – cerca de 50,4% da população – e 192 milhões com pelo menos uma dose – equivalente a 58,7% da população total –, algumas regiões hoje veem os números de casos e óbitos voltarem a sair do controle. De maioria republicana, estados como Alabama, Misisipi, Arkansas, Georgia, Tennessee, Oklahoma têm menos de 40% da população completamente vacinada, e apresentam crescimento intenso em casos e óbitos – especialmente comparados, por exemplo, a estados como Vermont e Massachusetts, onde a imunização supera a cada dos 65%, e a situação se apresenta consideravelmente mais controlada.

Apoiadores de Trump carregam cartaz contra a vacinação nos EUA

Apoiadores de Trump carregam cartaz contra a vacinação nos EUA

A propagação da variante Delta no país torna tal quadro ainda mais grave. Por se tratar de uma forma mais contagiosa e letal, a situação pode se tornar realmente emergencial em tais regiões e entre as populações. Aos poucos, as medidas de afrouxamento e mesmo de retirada dos protocolos que começavam a ser colocadas em prática no país vão sendo retomadas, e o uso de máscaras e distanciamentos novamente vão sendo exigidos enquanto a vacinação não avança ainda mais e mais rápido: algumas agências e empresas estão exigindo que seus funcionáriostomem a vacina

Criança em manifestação contra a obrigatoriedade do uso de máscaras no país

Criança em manifestação contra a obrigatoriedade do uso de máscaras no país – protocolo que também salva vidas

A situação nos EUA é um importante alerta não só para o país, mas para o resto do mundo: segundo dados oficiais, mais de 104 milhões de pessoas já tomaram a primeira dose no Brasil, em número equivalente a cerca de 49,14% da população do país. Em situação de completa imunização, porém, com duas doses tomadas, o número cai para pouco mais de 43 milhões de pessoas, equivalentes a 20,61% da população. Assim, é inevitável concluir que, se a vacinação não se acelerar por aqui, o futuro próximo será de uma “pandemia entre os não vacinados” em solo brasileiro.

Vitor Paiva : Redação Hypeness

© fotos: Getty Images

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