Homem é condenado a pagar R$ 20 mil de indenização para ex-namorada

Um homem residente de Barueri, no interior de São Paulo, que não teve o nome divulgado, terá de pagar uma indenização de R$ 20 mil à ex-namorada por danos morais. Além desse valor, precisará devolver R$ 270 mil que ela emprestou à ele. O caso foi classificado como “estelionato afetivo e sentimental” e corre em segredo de Justiça.

Ainda de acordo com o processo, ele teria a enganado, dito que passava por dificuldades financeiras e que, por conta dos problemas, pensava em se suicidar. Assim, comovida com a situação, a então namorada emprestou dinheiro e também pagou contas de aluguel e plano de saúde.

Quando percebeu que estava sendo manipulada, a mulher terminou o relacionamento e cobrou a devolução do que havia dado ao ex-namorado. Como ele não retornou o pedido, ela entrou na justiça.

A juíza Anelise Soares, da 5ª Vara Cível de Barueri, que julgou a ação, declarou que ele “aproveitava-se da vulnerabilidade emocional da ex-namorada para explorá-la economicamente” e também que suas “artimanhas manipuladoras” geraram humilhação à ela.

“Os elementos dos autos são suficientes para demonstrar que o réu praticou ‘estelionato afetivo, sentimental’ contra a autora, utilizando-se de astúcia para induzir a vítima a lhe dar grandes somas em dinheiro, como demonstram os prints de conversas de WhatsApp e e-mails, dos quais se observa claramente que ele constantemente solicitava ‘empréstimos’ a ela para pagamento de suas dívidas pessoais”, considerou a juíza.

Mentir para tirar proveito

Para psicólogos, além da manipulação e dos abusos físicos e verbais, o “estelionato afetivo e sentimental” é outra cilada amorosa muito comum nos dias atuais. A definição de estelionato está no Artigo 171 do Código Civil que explica que esse tipo de conduta se caracteriza quando uma das partes tem a intenção de “obter para si ou para outrem vantagem ilícita em prejuízo alheio”.

Para o advogado criminalista, Guilherme Felipe Miguel, com experiência no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, homens e mulheres que cometem esse crime normalmente procuram alvos considerados fáceis. “Já atendi diversas pessoas que se envolveram com outras por carência e, por conta desse sentimento, foram manipuladas a agirem de maneira que provavelmente não agiriam se não fossem inseguras”.

De toda forma, quem sofre algum tipo de estelionato deve fazer o que a mulher que entrou na justiça fez: acumular provas e procurar uma autoridade. “É muito importante que a pessoa que se sentir lesada busque seus direitos. Também é essencial que se contrate um advogado capacitado para que ele avalie a situação e faça o encaminhamento jurídico, para o ressarcimento do dano financeiro sofrido. Por fim, o dano moral será avaliado pelo juiz”, orienta o advogado criminalista.

Não é amor, é cilada

Não se pode ter medo de denunciar. Mas, é importante lembrar também que a prevenção é a melhor solução. É essencial que, antes de amar o outro, se aprenda a ficar bem consigo mesmo. Porque, quando uma pessoa se ama, ela não aceita o avanço do abusador e impõe limites.

Mas, se a vítima não desperta para o que está acontecendo, o ciclo de violência só se repete. Se ele ou ela aceita ouvir xingamentos, humilhações, com o passar do tempo, virarão agressões físicas. Se aceita o estelionato e a traição, provavelmente acontecerão posteriormente o abuso físico e verbal. Isso porque o abusador se acha no direito de desrespeitar o outro da forma que quiser.

Por isso, quem tem baixa autoestima, insegurança e acredita que só será feliz quando tiver uma pessoa ao seu lado, deveria vencer todas essas questões antes de investir numa relação. Afinal, são esses sentimentos que acabam empurrando as pessoas a caírem em todas as ciladas amorosas que existem.

Quem se valoriza não se permite iludir com elogios, declarações ou surpresas. São as atitudes que falam mais que qualquer palavra.

Do R7

Foto : Reprodução | Pixabay

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