Feminicídio: 6 casos que pararam o Brasil

O assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres tem nome: feminicídio. De acordo com a lei 13.104 de 2015, o crime de feminicídio é configurado quando há violência doméstica e familiar, ou ainda quando há “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

Caso Ângela Diniz (1976)

O feminicídio da atriz Ângela Diniz voltou aos holofotes recentemente por conta do podcast “Praia dos Ossos“, produzido pela Rádio Novelo, que fala sobre o caso e sobre como o assassino, Raúl Fernandes do Amaral Street, conhecido Doca Street, foi transformado na vítima pela sociedade.

O playboy carioca assassinou Angela com quatro tiros no rosto na noite do dia 30 de dezembro de 1976, na Praia dos Ossos, em Búzios. O casal estava discutindo quando o homicídio aconteceu. Eles estavam juntos há três meses e Ângela havia decidido se separar por conta do ciúme excessivo de Doca.

Em um primeiro momento, Doca Street foi condenado a dois anos de prisão, pena que foi suspensa. O Ministério Público então recorreu e ele foi condenado a 15 anos.

Doca Street e Ângela Diniz na Praia dos Ossos, em Búzios.

Caso Eliza Samúdio (2010)

Eliza Samúdio conheceu Bruno Fernandes, popularmente chamado de goleiro Bruno, durante uma festa na casa de um jogador de futebol. Na época, Eliza era garota de programa, mas deixou de trabalhar depois que começou a se envolver com Bruno, que era casado, a pedido dele mesmo.

Em agosto de 2009, Eliza contou a Bruno que estava grávida de um filho dele, notícia que não foi bem recebida pelo jogador. Ele propôs que ela fizesse um aborto, o que ela se recusou. Dois meses depois, em outubro, Eliza prestou queixa na polícia afirmando que havia sido mantida em cárcere privado por dois amigos de Bruno, Russo e Macarrão, que a agrediram e a obrigaram a tomar pílulas abortivas.

Eliza também disse que Bruno a havia ameaçado com uma arma, o que o ex-atleta negou. “Não vou dar a essa moça 15 minutos de fama que ela tanto deseja”, disse, por meio de sua assessoria.

Eliza Samúdio foi assassinada a mando do goleiro Bruno.

Eliza deu à luz um menino em fevereiro de 2010 e buscou de Bruno o reconhecimento de paternidade da criança, além de uma pensão. Ele se recusou a fazer os dois.

A modelo desapareceu no começo de julho de 2010, após visitar o sítio do jogar no interior de Minas Gerais, na cidade de Esmeraldas. Ela teria ido até lá com a criança a pedido de Bruno, que demonstrava ter mudado de ideia sobre um possível acordo. Depois do desaparecimento, a criança foi encontrada em uma comunidade em Ribeirão das Neves (MG). A data provável da morte de Eliza é o dia 10 de julho de 2010.

A investigação mostrou que Eliza teria sido levada a Minas Gerais desacordada, após ser agredida na cabeça. Lá, ela foi assassinada e esquartejada a mando de Bruno. Seu corpo teria sido jogado a cachorros.

filho, Bruninho, vive com os avós maternos e não tem qualquer relação com Bruno, que cumpre pena no regime semi-aberto.

Caso Eloá (2008)

Eloá Cristina Pimentel morreu aos 15 anos vítima de feminicídio cometido pelo ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, que tinha 22 anos. O caso aconteceu na cidade de Santo André, no interior de São Paulo, e foi amplamente coberto pela mídia na época.

Eloá estava em casa fazendo um trabalho de escola com três amigos, Nayara Rodrigues, Iago Vieira e Victor Campos, quando Lindemberg invadiu o apartamento e ameaçou o grupo. O assassino libertou os dois rapazes e permaneceu com as duas meninas em cárcere privado. No dia seguinte, libertou Nayara, mas a jovem acabou retornando à casa em uma tentativa desesperada de ajudar na negociação.

O sequestro durou cerca de 100 horas e só terminou no dia 17 de outubro, com a invasão da polícia ao apartamento. Quando percebeu o movimento, Lindemberg atirou em Eloá, que foi atingida por dois tiros, e morreu. A amiga, Nayara, também levou um tiro, mas sobreviveu.

A cobertura da mídia sobre o caso foi duramente critica, principalmente por uma entrevista ao vivo feita no programa “A Tarde É Sua”, então comandado por Sônia Abrão. A apresentadora conversou com Lindemberg e Eloá e atrapalhou o andamento das negociações.

Em 2012, Lindemberg foi condenado a 98 anos e dez meses de prisão.

Caso Daniella Perez (1992)

A atriz Daniella Perez foi outra artista vítima de um crime cruel e brutal. Ela tinha apenas 22 anos quando foi assassinada por Guilherme de Pádua e sua mulher, Paula Thomaz.

Guilherme e Daniella formavam um par romântico na novela “De Corpo e Alma”, escrita por Glória Perez, mãe da atriz. Por conta disso, Guilherme passou a assediar Daniella visando obter vantagens dentro da emissora, já que sua mãe era autora do folhetim em que estavam.

Daniella Perez e Guilherme de Pádua em foto de divulgação da novela ‘De Corpo e Alma’.

Daniella, casada com o ator Raúl Gazolla, fugia das investidas. Foi quando Guilherme percebeu que havia sido deixado de fora de dois capítulos da novela, o que entendeu como influência da atriz sobre sua mãe. Com medo de perder destaque em “De Corpo e Alma”, ele arquitetou o assassinato junto com a mulher.

Os dois organizaram uma emboscada contra Daniella na saída das gravações da novela e levaram a atriz para um terreno baldio, onde a esfaquearam por 18 vezes.

Guilherme e Paula chegaram a consolar Raúl e Glória na delegacia, mas foram descobertos pela polícia e presos definitivamente no dia 31 de dezembro. Cinco anos se passaram até o julgamento, em que os dois foram condenados a 15 anos de prisão, mas foram soltos após cumprirem quase metade da pena, em 1999.

Caso Maníaco do Parque (1998)

O motoboy Francisco de Assis Pereira matou 11 mulheres e fez 23 vítimas antes de ser preso. Conhecido como o “Maníaco do Parque”, ele foi identificado com base em informações dadas pelas vítimas que sobreviveram aos seus ataques. O serial killer costumava estuprar e matar mulheres na região sul de São Paulo, no Parque do Estado.

Os crimes aconteceram em 1998. Francisco atraía mulheres com muita lábia, dizendo ser um “caça-talentos”. Assim, conseguia levá-las ao parque. Depois de divulgarem o retrato falado do suspeito, ele foi identificado por uma mulher que foi abordada por ele. Ela acionou a polícia e a busca por Francisco, que havia fugido, terminou na fronteira com a Argentina, em Itaqui (RS).

Caso Mônica Granuzzo (1985)

O caso Mônica Granuzzo chocou a sociedade carioca e o país em 1985, no auge da chegada da revolução sexual no Brasil. Em junho de 1985, a jovem de 14 anos conheceu o modelo Ricardo Sampaio, de 21 anos, na “Mamão com Açúcar”, uma boate do Rio de Janeiro. Por morarem perto, os dois combinaram de sair para comer uma pizza no dia seguinte. No entanto, Ricardo disse à Mônica que havia esquecido um casaco e convenceu a menina a voltar ao apartamento dele para pegar. A justificativa não passava de uma mentira para levar a garota para o apartamento. Ricardo chegou dizer que morava com os pais para deixá-la mais tranquila, fato que também não era verdade.

Uma vez lá em cima, Ricardo tentou estuprar Mônica, que resistiu e foi agredida. Ela então tentou fugir pulando para a sacada do apartamento vizinho, se desequilibrou e caiu do sétimo andar do prédio, que ficava na Fonte da Saudade, na divisa entre os bairros da Lagoa e do Humaitá.

Ao atestar a queda, Ricardo pediu ajuda de dois amigos para esconder o corpo. Renato Orlando Costa e Alfredo Erasmo Patti do Amaral estavam em uma festa junina no tradicional colégio Santo Inácio, em Botafogo, e responderam ao chamado do amigo. Assim, os três desovaram o corpo de Mônica, que foi achado em um barranco no dia seguinte.

Ricardo foi condenado a 20 anos de prisão. Alfredo e Renato, a um ano e cinco meses por ocultação de cadáver, mas acabaram cumprindo a pena em liberdade já que eram réus primários. Ricardo cumpriu um terço da pena e passou a viver em liberdade condicional. Ele ainda mora no Rio de Janeiro. Alfredo morreu em maio de 1992 ao sofrer uma parada cardíaca com 26 anos.

Testemunhas disseram que Mônica não havia sido a primeira vítima de Ricardo, que costumava agredir e abusar de meninas que levava ao seu apartamento.

Fotos: Wikimedia Commons/Arquivo

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