Estiagem em SC reduziu a produção agrícola da safra

A estiagem prolongada em Santa Catarina reduziu a produção agrícola da safra de verão (julho/2019 a abril/2020) no Estado, mas, em razão dos bons preços praticados no mercado, não comprometeu os resultados econômicos. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), que participou nesta semana da apresentação dos dados pelos técnicos do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) em evento virtual que marcou o encerramento da safra de verão e a abertura da safra de inverno no Estado.

De acordo com a Epagri, a estiagem atrasou o plantio e trouxe queda de produtividade, principalmente para as lavouras de milho, soja e feijão. O milho total teve uma redução de 3,48% na área plantada, queda de 10,78% no total produzido e enfrentou uma produtividade 7,57% menor, em comparação com a safra 2018/19. A soja teve produção total 2,52% menor do que no ciclo anterior e feijão teve redução de 6,18% na produtividade e de 3,12% na área plantada.

“Nós colhemos menos soja que no ano passado na safra de verão, plantamos uma área um pouco maior, em torno de 5%, mas a produção ficou em torno de 2,2 milhões de toneladas, enquanto na safra anterior colhemos 2,3 milhões. Na produção de milho, diminuímos a área e colhemos 300 mil toneladas a menos, somente 2 milhões de toneladas. Isso é um problema, porque o Estado precisa de 7 milhões de toneladas por ano para abastecer o sistema agroindustrial”, analisa o vice-presidente da FAESC, Enori Barbieri, ao destacar que os bons preços compensaram as perdas.

“O que nos salvou foi o bom preço do arroz em área plantada menor que na safra anterior, o bom preço da soja no mercado internacional com o dólar valorizado e o bom preço do milho, que praticamente equilibraram e até superaram os recursos recebidos na safra anterior. Apesar de todos os problemas climáticos, tivemos uma boa safra de verão neste ano”, avalia.

Os números da Epagri confirmam a avaliação do dirigente. O arroz foi um dos destaques da safra de verão. A produtividade de 8.391kg/ha ficou acima da média dos anos anteriores. No ciclo 2019/20 foram colhidas em média 168 sacas de arroz por hectare, contra média de 160 na safra passada. Apesar da alta oferta do produto no mercado, os preços se mantiveram em patamares elevados, graças à expectativa inicial de uma safra abaixo da média provocada pela estiagem no Sul do Brasil e à corrida aos mercados no início da pandemia, o que aumentou a demanda pelo alimento.

Além dos bons preços, a qualidade dos grãos de soja e de milho também foram destaque. O Estado exportou 1,4 milhão de toneladas de soja entre janeiro e junho, volume recorde, porém continua dependendo da importação de milho de outras regiões e países para suprimento das agroindústrias.

SAFRA DE INVERNO

Barbieri ressalta que o Estado não tem forte tradição na safra de inverno, cujas culturas agrícolas são plantadas a partir de maio, como trigo e cevada. Uma das razões é porque os fatores climáticos dificultam o cultivo.

“Santa Catarina responde pouco por estas culturas. Colhemos 150 mil toneladas de trigo, perante 6 milhões de toneladas em todo o Brasil. Haverá acréscimo neste ano no trigo, mas é uma cultura que tem muito problema climático no nosso Estado. A cada três safras, o produtor acerta uma. Por isso, a maioria dos produtores prefere plantar pastagens, investir na criação de gado, do que fazer plantio de inverno e atrapalhar a safra de verão que começa no final de agosto no extremo oeste”.

Mesmo assim, segundo estimativa da Epagri, a área plantada de trigo nesta safra deverá aumentar 7,82% em relação ao ano anterior, com um crescimento na produtividade média de 9%, alcançando 182 mil toneladas, incremento de 17,52% na produção. O Estado também prevê aumento de 55,54% na produtividade de cevada, 11,69% no total de alho produzido, 24,48% na aveia grão e leve queda de 1,42% na produtividade de cebola.

Na avaliação da FAESC, para a próxima safra de verão, a maior disponibilidade de recursos em crédito e seguro rural deve impulsionar a produção agrícola no Estado.

“Não faltarão recursos para os produtores que queiram fazer suas lavouras. Por isso, creio que vamos voltar a fazer uma boa safra e, se tivermos clima bom, vamos bater novo recorde de produção em Santa Catarina”, projeta Barbieri.

Com informações da FAESC.

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