Estados vizinhos saem na frente de SC em ações de retomada econômica

Ao passo que as medidas vão sendo flexibilizadas o sentimento da retomada da “normalidade” da rotina já é amplamente aguardada entre todos os cidadãos. Esse efeito, em modelo cascata, chega também com a mudança no Ministério da Saúde promovida pelo presidente Jair Bolsonaro, que preza pela mescla do isolamento social, com a retomada da economia.

Em Santa Catarina o governador Carlos Moisés, na esteira da flexibilização gradual, segue falando em “distanciamento responsável” e “convivência com o vírus”, apesar das recentes flexibilizações adotadas em todo o Estado.

Há um sentimento da população, no entanto, de que o chefe do Executivo catarinense, apesar do valente combate à disseminação do vírus, vem deixando a desejar no que diz respeito ao amparo as empresas e os empregos.

Em comparação aos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, por exemplo, Santa Catarina salta atrás e corrobora essa percepção que vem sendo fortemente cobrada em solo local.

Nas última semana, por exemplo, apesar de representar pouco, os governadores Ratinho Júnior (PSD), do Paraná e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, anunciaram a redução dos respectivos vencimentos.

Paraná

Ratinho Júnior, na última quinta-feira (16), confirmou a redução do seu salário em 30%. A medida se estende também ao vice-governador Darci Piana, além de outros 30 servidores do Executivo, que terão os valores reduzidos pelo tempo de 90 dias, ou enquanto perdurar a quadro de emergência em todo o País.

Todo o valor economizado, segundo Ratinho, será revertido ao Fundo de Combate a Pobreza do Estado, atualmente direcionado ao combate à Covid-19.

Rio Grande do Sul

Já no Rio Grande do Sul o governador Eduardo Leite antecipou esse corte há uma semana, no último dia 10, quando comunicou o corte do seu salário em 30%.

“Há um princípio de irredutibilidade dos salários da administração pública e,  por isso, eu não posso determinar a redução dos salários dos servidores e, mesmo à equipe de trabalho. Mesmo assim, tomei uma decisão pessoal, que recomendei ser seguida por nossos secretários e gestores públicos”, comunicou o governador do PSDB, em transmissão ao vivo realizada no Palácio Piratini.

Redução dos cargos comissionados

Para o governador de Santa Catarina, é sempre possível “avançar” no que diz respeito à retenção do fluxo no caixa. No entanto, ele salienta que o governo tem “feito o dever de casa”.

Segundo revelado por Carlos Moisés foram 2.054 mil cargos comissionados extintos, até esse momento, que resultará uma economia de R$ 500 milhões em quatro anos.

“Tem uma característica nossa de um percentual da nossa equipe, até por promessas de campanha, de origem técnica e, por serem funcionários de carreira, acabam ficando com os seus salários de origem da atividade. Com as economias que fizemos na gestão da máquina pública, temos um impacto na folha que desceu de 51% para 45%. Fizemos a lição de casa”, sublinhou o governador.

Além disso, Carlos Moisés comparou – apesar de não usar números – os valores dos vencimentos do primeiro escalão do Rio Grande do Sul e do Paraná. Segundo o portal da transparência, Ratinho Júnior tem um salário de R$ 33,7 mil. Eduardo Leite, no Estado mais ao Sul do País, soma vencimentos de R$ 25 mil.

Em Santa Catarina, ao contrário do que falou na entrevista coletiva ao alertar a possibilidade de ser “um terço do alto escalão dos outros estado”, tem um salário de R$ 30 mil, segundo o Portal da Transparência.

Aporte econômico

Em consulta aos documentos e Diário Oficial dos Estados da região Sul, os vizinhos saíram na frente.

No Paraná, no dia 27 de março, o governo anunciou um pacote econômico de R$ 1 bilhão em linhas de financiamento para autônomos, micro, pequenas e médias empresas.

Os valores serão destinados às empresas para que não demitam funcionários durante o período de contenção do novo coronavírus. “É um pacote de proteção e manutenção do emprego. As empresas que captarem estes recursos têm a obrigação de manter seus empregos”, afirmou o governador do PSD.

A medida, segundo destacado pelo chefe do Executivo paranaense, prevê atender 40 mil empresas. “Nós queremos que as pessoas, neste momento de crise, tenham a capacidade de tocar 60 ou 90 dias da sua vida até que o mundo volte à sua normalidade”, acrescentou.

Segundo divulgado no Diário Oficial do Paraná, serão R$ 120 milhões para MEU (Microempreendedor Individual), micros e pequenas empresas: créditos de R$1,5 mil a R$6 mil.

São ainda R$ 160 milhões para pequenas e médias empresas com créditos de R$6 mil a R$200 mil.

E ainda R$ 690 milhões para empresas de grande porte, com créditos acima de R$200 mil.

Rio Grande do Sul com poder de auxílio menor 

Em crise financeira, o RS não efetuou medidas imponentes como no Paraná, ainda sim, o governador Eduardo Leite anunciou uma série de benefícios ao empresariado.

“Não estou falando em economia para salvar CNPJ, mas no que toca na vida das pessoas, dos funcionários, empregados, daqueles que vão ter a vida atingida. Parar tudo vai trazer problemas e afetar empregos. Por isso fizemos essas definições que poderão e deverão ser ampliadas conforme a necessidade”, explicou.

Entre as alternativas encontradas está a ampliação do limite de endividamento com o Banrisul em até 10% onde o banco, segundo o governo gaúcho, tem R$ 3 bilhões para pessoa jurídica nessas condições. Para as pessoas físicas há uma pré-aprovação de R$11 bilhões em empréstimos.

Santa Catarina e suas medidas

O governador Carlos Moisés respondeu ao questionamento da reportagem do nd+ e justificou que o tema tem sido explanado diariamente. Moisés ainda lembrou das atividades da sua administração dispostas no site oficial do Estado, referente ao combate ao coronavírus.

“Essa semana eu liguei para o presidente do BNDES para dar uma atenção conosco, para aumentar a linha de crédito do nosso empresário e há um sentimento que vai ser ampliado, ele me assegurou”, acrescentou Moisés que ainda lembrou os repasses do Governo Federal nesse auxílio.

Santa Catarina já anunciou a isenção da tarifa de luz e suspensão do corte, ao menos, em prazo de 90 dias. Essa possibilidade de não pagar é restrita aos consumidores de baixa renda.

Aos MEIs, micro e pequenos empresários, o governo de SC abriu linha de microcrédito e capital de giro de R$ 100 milhões. Foi aberta ainda a linha Badesc Emergencial com intuito de atender as micro e pequenas empresas de SC. Foram aportados R$ 50 milhões sendo possível a contratação de R$ 15 mil a R$ 150 mil, com taxa de juros, paga pelo empresário de 0,3% ao mês, sendo o restante subsidiada pelo governo do Estado.

Santa Catarina ainda conta com a ampliação de crédito por meio do Programa Juro Zero em operações de, no máximo, R$ 5 mil. Há ainda uma postergação de parcelas junto ao Badesc, que deve ser solicitada junto ao Departamento Financeiro da instituição.

: NDMais

Imagem : Getty Images

 

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