Especialista afirma que a dieta sem lactose é um risco para quem não tem problemas com a enzima do leite

A busca por uma alimentação saudável exige equilíbrio. Existem atualmente inúmeras dietas que visam alcançar o balanço ideal de nutrientes através de diferentes estratégias, sendo diminuindo a ingestão de carboidratos na dieta low carb, focando no consumo de verduras, frutas e grãos em uma alimentação mediterrânea ou até na exclusão total de leite e derivados na dieta sem lactose. Porém, optar por essa última sem apresentar intolerância ao leite pode comprometer diretamente a ingestão de cálcio e vitaminas fundamentais para a saúde.

O leite de vaca é um alimento versátil e funcional, tendo em sua composição 87% de água e 13% de componentes sólidos, divididos aproximadamente em 4% a 5% de carboidratos, 3% de proteínas, 3% a 4% de lipídios, 0,8% de minerais e 0,1% de vitaminas. É um alimento rico em imunoglobulina, hormônios, citocinas, enzimas, fatores de crescimento e outros peptídios bioativos que apresentam ganhos interessantes à saúde. A ingestão desse alimento aumenta a resistência óssea, fortalece o sistema imunológico dos dentes e ainda previne doenças como hipertensão, problemas respiratórios e até obesidade.

Ao excluir esse alimento da dieta sem apresentar diagnóstico clínico comprovando intolerância à lactose e sensibilidade à proteína do leite, há grande risco do organismo de fato se tornar intolerante.

— Caso o indivíduo não apresente nenhum sinal ou sintoma de problemas digestivos, alérgicos ou de má absorção, não há porque excluir esta classe de alimentos. Com a restrição, o intestino que produzia normalmente a lactase (enzima) passa a não ter mais a visita da lactose no processo digestivo, e dessa forma a produção enzimática passa a reduzir, porque não há estimulo para a produção de lactase se o nutriente não estiver presente no bolo alimentar para ser digerido. Com isso o indivíduo começa a ser sensível a este nutriente — explica a nutricionista Sendy Speck.

Sintomas podem gerar confusão

Um dos argumentos comuns de quem opta por essa dieta está associado ao desconforte e distensão abdominal após ingerir leite e derivados. Porém, isso pode não estar diretamente associado à intolerância a lactose, e sim à uma disbiose. A disbiose é o desequilíbrio entre bactérias boas e ruins do intestino, favorecendo o crescimento das ruins e aumentando a fermentação. Isso ocorre principalmente através do consumo excessivo de alimentos industrializados que possuem na composição muito corante, conservando e até acidulantes. Itens bastante presentes em alguns derivados industrializados do leite. Por isso recomenda-se ler atentamente o rótulo e buscar por produtos com menor quantidade de produtos artificiais. Dessa forma, melhorar o problema digestivo sem perder as inúmeras vantagens da ingestão do leite.

Para encontrar o equilíbrio da alimentação é recomendado optar por alimentos naturais e variados, para que a dieta tenha constância.

— Na falta dessa diversidade, a própria exclusão do leite irá diminuir a disponibilidade de proteína, cálcio, vitamina D e magnésio no organismo — reforça a nutricionista.

Além dos benefícios nutricionais, a versatilidade do consumo de leites e derivados permite uma dieta mais saborosa e diversificada. É possível comer queijo branco, iogurtes, vitaminas de fruta e um vasto cardápio. É nessa variedade que a adesão das dietas muda o conceito de dieta para uma reeducação alimentar. Por isso antes de optar por extremos na alimentação, como o corte do leite, é importante consultar um profissional e compreender qual a melhor estratégia para o seu objetivo, pois a exclusão desse alimento só é válida para quem é intolerante.

Por Estúdio NSC

Foto: Unsplash

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