ENTREVISTA: Como conter a ansiedade em tempos de pandemia com a Psicóloga Deise Peters, (CRP 12/12496)

Com foco em como conter a ansiedade em tempos de coronavírus, e muitas são as dúvidas para se proteger mesmo em casa, conversamos com uma profissional da área da psicologia para saber mais sobre os cuidados a serem aplicados. No comércio e ao ar livre já vemos muitas ações para serem aplicadas. Fomos em busca de respostas ouvindo atentamente a profissional Psicóloga Deise Peters da Clinivida de Orleans, acompanhe:

Psicóloga Deise Peters, (CRP 12/12496)

Olhar do Sul – Como conter a ansiedade ante o avanço da pandemia do novo coronavírus?

Dra. O tempo que estamos vivendo, pode gerar medo e ansiedade, e de certo modo são até naturais neste momento. É natural nos sentirmos apreensivos em meio a uma pandemia, porém é preciso entender que deixar a ansiedade e o medo saírem do controle não irá contribuir em nada.

O medo e a ansiedade tem um lado positivo e negativo.

O positivo é que nos coloca numa posição de alerta, utilizar este medo para nos focar na prevenção, motivar as pessoas com práticas que inibem a disseminação.

O negativo é que, quando o medo e ansiedade são muito acentuados podem se tornar incapacitantes. Acabam exercendo sobre a pessoa um estado de pânico. Realizando exageros desnecessários.  Excessos de noticias, pelos diversos canais de comunicação, são um dos fatores que pode ajudar a aumentar nosso nível de ansiedade.

Olhar do Sul – Estamos percebendo o interesse dos nossos internautas pelas notícias negativas principalmente nessa época do Coronavírus. Por que isso ocorre?

Dra. É fato que as pessoas apresentam um interesse algumas vezes exagerado por notícias ruins. Geralmente as matérias mais lidas nos jornais e as notícias que dão maior ibope na televisão estão ligadas diretamente a tragédias. Existem vários fatores para que isto ocorra, um deles é a curiosidade, que é um instinto nosso, que está relacionado ao querer estar informado sobre determinada situação como forma de proteção. Outro fator de interesse por essas notícias, também envolve fator de proteção, ou seja, quanto mais informação se tem, de certa forma, acredita-se que é capaz de evitar que aquilo se repita. Ver ou ler sobre essas notícias, também traz a reflexão sobre a finitude da vida, trazendo a tona o medo do fim, mas também a sensação de estar vivo.

Olhar do Sul – Todos esses cuidados e o excesso pode fazer com que as pessoas se tornem neuróticas?

Dra. Pode sim. Principalmente aquelas pessoas que já tem um grau mais elevado de ansiedade. Ou aquelas que já tenham um quadro de transtorno obsessivo-compulsivo ou transtorno de ansiedade generalizada acabar agravando um pouco mais o quadro. Por exemplo: uma pessoa que sofre com medo de germes ou contaminação, e que tenha rituais de lavar as mãos excessivamente, bem provável que, se ela não estiver atenta ao seu TOC, possa apresentar mais comportamentos ritualísticos e pensamentos obsessivos.

Olhar do Sul – Sabemos que algumas pessoas tem muita ansiedade noturna? Como evitar?

Dra. Sim. Para estas pessoas, costumo orientar a ter uma rotina para a hora de dormir, criando um ritual particular para este momento, para que seu cérebro entenda que agora é hora de dormir, que pode ser desligando o som e luzes da casa em determinado horário sempre, tomar um banho antes de deitar, tomar um chá, fazer uma oração, ler um livro, fazer exercícios de respiração. Faça uma reflexão pensando no que te acalma, para criar seu próprio ritual. Caso aplicando estas orientações sua ansiedade ainda estiver elevada, aconselho você a buscar ajuda profissional.

Olhar do Sul – As pessoas que estão aplicando todos os cuidados necessários tem motivo para sentir medo?

Dra. Primeiro é importante entendermos que o medo é uma forma de nos proteger de possíveis ameaças, e tomarmos as medidas necessárias de segurança, tais como uso de máscara, levar as mãos, etc. De fato, nem com todas as medidas estamos cem por cento imunes a este vírus, porém o índice de contágio se torna muito pequeno. E devemos nos atentar ao que é mais provável, que se nos protegermos estaremos mais seguros.

Cabe, lembrarmos que é necessário tolerarmos as incertezas da vida, não só neste momento, mas é natural não termos controle sobre tudo.

Por isso, não se desespere, e busque separar o que podemos ou não controlar e agir dentro do que é possível.

Olhar do Sul – Como amenizar o mau humor que se agravou ficando em casa?

Dra. Como costumo falar aos meus pacientes: mantenha atividades que trazem alegria e bem-estar, ou seja, foque em fazer coisas que gosta, cuidar da alimentação, se envolver num exercício físico, conversar com familiares e amigos utilizando as ferramentas tecnológicas. Busque este momento para aprender coisas novas. Também vale focar nos aprendizados que estamos vivenciando com toda esta situação.

Olhar do Sul – O que você recomendaria para controlarmos o pânico de retomarmos as atividades normais?

Dra. Como colocado anteriormente, pessoas já propensas a ter mais ansiedade talvez sofram mais com esse retorno. Mas, busque focar no que está no seu alcance, ou seja, ter os cuidados necessários ao sair de casa, ou durante seu dia de trabalho. O retorno é mais difícil, mas a medida que vamos nos acostumando com a rotina vamos nos adaptando ao novo cenário.

Olhar do Sul – Deixe-nos uma mensagem e seu contato?

Dra. Tome precauções razoáveis em relação a sua saúde, mas busque tolerar as incertezas da vida e viva bem o momento presente. Como costumo dizer, viva um dia de cada vez! Que possamos enfrentar este momento com consciência, inteligência e empatia.

Psicóloga Deise Peters (48) 9 9989-1087.

Clinivida: (atendimento@clinividaorleans.com.br)

(48) 3466-4513 / 3466-1673 / 3466-0671
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Segunda à Sexta:
7:00 até 12:00 – 13:00 até 18:00

Redação Olhar do Sul

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