ENEM: 100 mil estudantes farão o exame em formato digital em 2021

Esta edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reserva outra novidade: pela primeira vez haverá uma edição digital da prova. É o piloto de uma proposta que prevê que até 2026 o exame seja totalmente online. Anunciado em 2019, o Enem Digital será aplicado em 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021 para cerca de 100 mil inscritos.

O número foi estipulado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação. Segundo o órgão, houve uma procura significativa de participantes mais velhos para o Enem digital, com 36,3% dos inscritos com idade entre 21 a 30 anos, e 19% entre 31 a 59.

O Enem Digital 2020 será aplicado em 110 cidades em todos os Estados e no Distrito Federal. A realização se dará em lugares e computadores definidos pelo Inep, com a mesma estrutura da prova impressa: 180 questões e a Redação. As perguntas e o tema da dissertação serão diferentes, já que as provas serão aplicadas em datas distintas.

No futuro, há a expectativa de usar recursos multimídia como vídeos ou games e de poder aplicar o Enem ao longo do ano, por agendamento, no País todo. Segundo o Ministério da Educação (MEC), a adoção do exame digital ainda trará economia, por dispensar a impressão de papel. Somente em 2019, foram impressas cerca de 10 milhões de provas. Os custos da aplicação, de acordo com a pasta, superaram os R$ 500 milhões.

Apesar das vantagens aparentes, os especialistas se preocupam com possíveis desafios que o meio pode oferecer a candidatos sem a devida familiaridade com a realização de testes virtuais. Ao optar pela prova digital sem o conhecimento sobre as características do processo, talvez um candidato possa ter feito uma escolha que o prejudicou.

“O aluno pode acreditar que pode fazer uma prova digital por estar familiarizado com computadores e celulares. Isso é um erro. Há particularidades como o posicionamento dos itens na prova, o processo de leitura e análise de textos em uma tela, que é diferente de se ver no papel, ou mesmo a impossibilidade de usar o caderno de questões para anotações e cálculos na mesma área da questão, algo comum em provas de Matemática”, diz Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Informação do ESTADÃO

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