Discriminação e estigmas contra migrantes e refugiados crescem no contexto da pandemia

A série de webinários População e Desenvolvimento em Debate, promovida pelo Fundo de População do ONU (UNFPA), contou com mais uma edição nesta última quarta-feira (17/06). Nesta oitava edição, o tema foi Migrantes e Refugiados no Contexto de Distanciamento Social. Ao longo da discussão, especialistas chamaram a atenção para o crescimento da discriminação e estigmas contra migrantes e refugiados. Muitas vezes, ainda não plenamente formalizados e em situação de vulnerabilidade social, essa parcela da população poderá sentir maiores efeitos da pandemia de Covid-19.

Diante do contexto de distanciamento social, medida fundamental para o enfrentamento a pandemia de Covid-19, a situação de pessoas migrantes e  refugiados é particularmente grave. A professora Deisy de Freitas Lima Ventura, analisou brevemente como a nomeação de doenças com referências à populações ou locais pode aumentar a discriminação e a xenofobia entre os povos. O exemplo que a professora trás é o nome informal que foi dado à COVID-19, como “Vírus da China” ou “Vírus de Wuhan”, o que atribui conotações negativas àquela população.

Jahvier Lemus, ativista da ONG Aldeias Infantis SOS compartilhou relatos, entre eles de discriminação e estigmas, contra pessoas migrantes e refugiadas venezuelanas que se encontram em Manaus. “A discriminação e os estigmas criados contra as pessoas estrangeiras são reforçados pelos gargalos da administração pública com esses grupos de pessoas durante a pandemia da COVID-19”, explica o ativista.

José Egas, representante da ACNUR no Brasil, também chamou a atenção para o  impacto socioeconômico, com as perdas das fontes de renda; o colapso do sistema de saúde pública; transmissão comunitária do vírus (coronavírus) em assentamentos informais e/ou em situações extremas; acesso das comunidades à comunicação segura e confiável; aumento da violência sexual e de gênero; e os obstáculos que as populações indígenas vêm enfrentando.

Além disso, as condições de saúde mental também se tornam mais relevantes para esse grupo populacional e os mecanismos de apoio institucionais devem considerar múltiplas demandas dentro do contexto da pandemia atual e sobre o futuro desdobramento das condições de vida. O padre Paolo Parise compartilhou como este ponto é uma realidade na Missão Paz. “Existe um aumento no sentimento de frustração, derrota e pressão, pois as pessoas migrantes e refugiadas não conseguem emprego e têm seus familiares no país de origem para sustentar”. Paolo Parise também compartilhou como tem sido a rotina em meio a este contexto. Por conta do distanciamento social e fechamento do comércio, o número de pessoas migrantes e refugiadas que estão atendendo cresceu nos últimos dois meses, em especial de mulheres, que foi de 35% para mais de 50% dos que buscam ajuda. Também, nos últimos dois meses, atenderam cerca de duas mil famílias que necessitavam de auxílio.

Participaram do debate o ativista na ONG Aldeias Infantis SOS Jahvier Lemus; o padre e coordenador da Missão Paz  Paolo Parise; a professora da Faculdade de Saúde Pública da USP Deisy de Freitas Lima Ventura; e o representante do ACNUR Brasil, José Egas. A mediação do webinário foi realizada por Rosana  Baeninger, professora colaboradora da UNICAMP.

Assista esse debate na íntegra

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira 24/06 o tema será: A pandemia da COVID-19 e a crise ambiental e sanitária na Amazônia.

Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube: youtube.com/unfpabrasil.

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