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Direção do hospital pede lockdown em Imbituba e prefeito revela que reunião de gestores do Sul neste sábado vai debater fechamento regional

Uma carta, assinada pelo Diretor Técnico do Hospital São Camilo, Jaime Ribeiro Freitas, e enviada na tarde desta sexta-feira (19) à Prefeitura de Imbituba, pede o fechamento dos serviços não essenciais pelo período entre sete e 14 dias. (Confira o conteúdo da carta na íntegra ao fina da reportagem)

O documento, escrito pelo médico, tomou como base o alto número de atendimentos realizados pela instituição nos últimos tempos e o aumento, significativo, de óbitos pela Covid-19 em Imbituba. São 65 mortes registradas até o momento e, nesta sexta-feira (19), foram confirmados mais 52 novos casos da Covid-19 no município, chegando a um total de 6.113 casos desde o início da pandemia.

Na carta, o Diretor Técnico do Hospital São Camilo fala que, há cerca de três semanas, os profissionais de saúde da instituição tem presenciado a superlotação dos leitos de UTI. Hoje, em Santa Catarina, mais de 400 pacientes aguardam em um fila de espera por uma vaga em UTI. Imbituba contabilizou seis mortes por covid-19 nas últimas 48 horas.

“Em nosso município, a ala de enfermaria (isolamento Covid) encontra-se com 100% de ocupação, assim como a UTI. Além disso, há grande dificuldade na obtenção de insumos, como, medicamentos para procedimentos de intubação e sedação”, relatou Jaime Ribeiro Freitas.

O médico ainda disse na carta que, com relação aos óbitos ocorridos em Imbituba, grande parte dos pacientes não teve a oportunidade de um leito de tratamento em UTI.

“Diante de todo esse cenário devastador, e com o aumento constante no número de casos, óbitos e a escassez de recursos, a Direção Técnica do Hospital São Camilo vem alertar a gestão municipal e solicitar medidas resolutivas que promovam uma diminuição no número de casos de internações hospitalares”, disse, o diretor, no documento entregue nesta sexta-feira.

O médico Jaime Ribeiro Freitas pede ao Poder Público Municipal o fechamento integral das atividades não essenciais, por um período entre sete e 14 dias, bem como, a promoção do distanciamento social e uso obrigatório de máscara, com penalidades cabíveis aos cidadãos que não respeitarem as medidas sanitárias.

O prefeito Rosenvaldo Júnior falou ao AHora sobre o pedido que segundo ele é justo e só mostra a gravidade da situação. O gestor lembrou que durante as últimas semanas houve ocorrências de vários pacientes entubados no setor de isolamento por falta de vagas na UTI e que em apenas 24 horas o município perdei seis vidas, quatro no São Camilo, devido à esta superlotação. Rosenvaldo revelou que nesta sexta-feira os prefeitos da Amurel estiveram reunidos em assembleia e que, neste sábado, eles se reúnem com os outros prefeitos do Sul de Santa Catarina para tentar tomar medidas conjuntas.

Rosenvaldo afirma que, diante da gravidade da situação, é a favor de medidas mais restritivas, mas que sejam tomadas em conjunto por todos os prefeitos da região, senão, não haverá eficácia.

“Vamos buscar, sim, tomar medidas que ajudem a diminuir essa sobrecarga dos hospitais, mortes e filas. Discutiremos amanhã com todos os prefeitos da macrorregião do Sul, que está formando um comitê de gestão da crise, discutindo ações conjuntas. O grande problema é se um município toma medidas isoladas, tem muito pouca efetividade. Se Imbituba fechar, mas os outros municípios no entorno não fecharem, muitas pessoas saem para comércios, shoppings e restaurantes de outros municípios e o objetivo que é que as pessoas ficam em casa não é atingido. Temos perdido muitas vidas e a tendência que ainda tenhamos uma próxima semana de muitas perdas entre nós, por isso temos que agir”, enfatizou o prefeito.

Hospital Socimed comunica que não atenderá novos pacientes por causa da superlotação

O Hospital Socimed Unimed, em Tubarão, não atenderá novos pacientes e fechará o pronto atendimento médico por cinco dias. O comunicado foi feito na tarde desta sexta-feira (19). O motivo é a superlotação em decorrência da pandemia de covid-19.

Outra razão apresentada é a escassez de insumos necessários para atender os pacientes já internados. Nesta sexta, às 15 horas, 58 pessoas estavam hospitalizadas no Socimed, 27 delas na UTI.

A situação não é muito diferente nos outros hospitais do Estado. O Nossa Senhora da Conceição, também em Tubarão, inclusive, está em estado de alerta por causa da alta demanda – 141 na tarde desta sexta, 39 deles na UTI – e também pela falta de recursos humanos e de tratamento.

Por este motivo, o HNSC adotou um protocolo de medidas emergenciais. Na prática, significa garantir prioridade aos pacientes com maior chance de sobrevivência, de acordo com uma série de critérios de avaliação clínica.

Foto de Capa: Israel Costa/AHora