Dia Nacional da Doação de Órgãos (27/09): esperança de uma vida nova

Pandemia do Coronavírus trouxe novos desafios para equipes de captação e de transplantes em todo o Brasil.

No dia 27 de setembro comemora-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos, mas ao longo do mês, diversas ações foram feitas para conscientizar a população sobre a importância deste ato para salvar vidas. Em 2020, a pandemia do Coronavírus trouxe uma nova realidade para os pacientes que dependem de um novo órgão, tanto para as equipes que fazem a captação e os transplantes, como é caso da Fundação Pró-Rim.

O atendimento aos pacientes da Covid-19 fez com que hospitais e equipes médicas adotassem novos procedimentos e reformulassem suas estruturas, e para prevenir novos focos de contaminação aconteceu a suspensão das cirurgias de transplante em vários estados brasileiros. Com isso, houve também a redução de doações de órgãos e de novos ingressos nas listas de transplantes neste primeiro semestre.

Neste ano haverá uma queda de 60% das cirurgias comparada a 2019, segundo a projeção da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). De acordo com a associação, comparado ao mesmo período de janeiro a junho de 2019, os órgãos que tiveram a diminuição no número de transplantes foram pâncreas, pulmão, coração, rim e fígado. O transplante de córneas foi o mais comprometido, devido à suspensão das atividades em todo o país.

Pandemia trouxe desafios para a área

Os pacientes renais crônicos que aguardam a doação de um rim tiveram que redobrar os cuidados com sua saúde, já debilitada por conta da doença, e ter mais paciência para aguardar a retomada dos procedimentos de transplante. Apesar disso, a Fundação Pró-Rim registrou 44 transplantes entre janeiro a junho de 2020, seis procedimentos a mais do que neste mesmo intervalo em 2019. A baixa no número de transplantes ocorreu nos meses de julho, agosto e setembro, em decorrência do pico de casos de Covid-19.

“Nós ampliamos e intensificamos os processos de prevenção ao contágio do vírus para garantir a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais envolvidos nos procedimentos e atendimentos. Os pacientes renais e transplantados fazem parte do grupo de risco por conta da baixa imunidade, e muitos apresentam outras doenças crônicas como diabetes e hipertensão”, enfatiza o médico nefrologista e presidente da Pró-Rim, Dr. Marcos Alexandre Vieira.

O impacto na inviabilidade dos transplantes veio em decorrência da alta ocupação das UTI’s e mobilização de todos os esforços e recursos hospitalares para atendimento dos casos de Covid. A normalização dos procedimentos e da captação de órgãos deve ocorrer com a baixa no número de casos confirmados e de pacientes internados nos hospitais.

“A conscientização da população interfere muito nesse cenário. As pessoas se prevenindo e seguindo as recomendações básicas, como distanciamento social, higienização das mãos e o uso das máscaras; o número de contaminados e de casos graves podem baixar, os leitos dos hospitais ficam livres e as cirurgias podem voltar. A prevenção é responsabilidade de todos”, ressalta a médica nefrologista e coordenadora do setor de Transplantes da Pró-Rim, Dra. Luciane Deboni.

Vida nova

O transplante pode significar vida nova para muitas pessoas. Mariane Gabrielle Machado, de 22 anos, comemora o primeiro ano de transplante neste dia 27/09. Após três anos e meio de tratamento de hemodiálise ela foi chamada para o transplante no dia em que se comemora a doação de órgãos no Brasil.

Além de não precisar mais ir até a clínica três vezes por semana e fica durante 4 horas na máquina, ela conta que o transplante trouxe mais qualidade de vida. “Comecei a fazer atividades físicas que antes eu não conseguia pois não tinha fôlego e o meu coração acelerava muito, além de sofrer com muitas dores no corpo. Aproveitei mais o tempo com os meu familiares e parentes. Comecei a analisar cada momento e percebi como a vida é boa e as vezes a gente não sabe valorizar”, conta a jovem.

A esperança do transplante faz com que muitas pessoas venham de longe em busca de uma mudança de vida. Como foi o caso de Edinalva Dias de Oliveira, que veio do Pará para Joinville (SC) com a perspectiva de vida nova com um transplante. “O caminho mais fácil que você tem é desistir, mas não podemos fazer isso”, comenta sobre a mudança de estado.

Edinalva, assim como muitos outros pacientes transplantados, são gratos pelo gesto de amor ao próximo com a doação de órgãos e o consentimento das famílias. “Mesmo diante da dor, uma família teve essa atitude generosa, sou muito grata a eles onde quer que estejam. E que a nossa história sirva de exemplo para todos dizerem ‘sim” à doação de órgãos”, complementa ao lembrar de toda a trajetória até a vida nova.

Os transplantes em Joinville (SC) são realizados pela equipe da Fundação Pró-Rim em parceria com o Hospital Municipal São José.

Como ser um doador de órgãos?

Apesar de o Brasil ter um dos maiores índices de aprovação do mundo à doação de órgãos e ser considerado referência mundial em transplantes – só fica atrás dos Estados Unidos -, o número de doações efetivas ainda é baixo em relação ao número de pessoas que aguardam em lista.

Isso se dá por causa da recusa das famílias em autorizar a doação, além da falta de treinamento para capacitar os profissionais para a captação de órgãos. Muitas vezes, a família não fica sabendo do desejo do parente em doar os órgãos, o que impede de salvar vidas. “Por isso é de extrema importância avisar a família ainda em vida o desejo de ser doador de órgãos”, declara Dr. Marcos, que completa: “Hoje, milhares de vidas dependem da consciência de familiares que perderam entes queridos. É importante ressaltar que para ser doador não precisa deixar nenhum documento expresso. Basta conversar com os familiares, manifestando esse desejo”, enfatiza o médico.

Webinar debate a Doação de Órgãos no Brasil

Nesta sexta-feira (25/09), a Fundação Pró-Rim promove um webinar abordando a temática da Doação de Órgãos com a participação de convidados especiais. A mediação do evento será feita pelo médico nefrologista e presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos Alexandre Vieira, também presidente da Associação Brasileira de Centro de Diálise e Transplante (ABCDT), e da médica nefrologista e coordenadora de Transplantes da Pró-Rim, Dra. Luciane Deboni.

O evento inicia às 9 horas com uma conversa sobre a “Doação de Órgãos no Brasil” com a participação do médico nefrologista e vice-presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Dr. Gustavo Fernandes Ferreira. Em seguida, o coordenador da Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina (SC Transplantes), Dr. Joel de Andrade participa da conversa sobre o “Cenário dos Transplantes em Santa Catarina”.

O webinar será transmitido pelo canal da Pró-Rim no Youtube (www.youtube.com/prorim) sendo aberto ao público.

Colaboração: Fundação Pró-Rim/Jenifer Leu dos Santos

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Famílias passarão a receber o Bolsa Família somado ao Auxílio Emergencial até dezembro

Até o próximo dia 30 de outubro, cerca de 12,4 milhões das mais de 14,27 milhões de famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família (PBF) receberão o...

São Joaquim | Forte chuva de granizo assusta moradores da comunidade de Arvoredo

Uma forte chuva de granizo que ocorreu na tarde desta último sábado (24) e assustou os moradores da localidade de São Sebastião do Arvoredo,...

Formação de ciclone no litoral brasileiro pode causar tempestades nos próximos dias em nove Estados

Um ciclone de características subtropicais que começa a se formar no Oceano Atlântico pode provocar tempestades fortes nos litorais do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia entre a noite deste domingo, 25,...

Mundo | Na Itália, primeiras doses de vacina serão para ‘mais frágeis’

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou neste domingo (25) que as primeiras doses de vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) devem...