Dia do Médico: as mensagens de quem está à frente da luta mundial pela saúde

A data é dedicada a homenagear médicos e médicas, mas – mais do que nunca, em um ano em que a humanidade enfrenta uma pandemia – deve ser também um dia para celebrar a vida e prestar reconhecimento a todos os que estudaram para lutar pela saúde humana, muitos dos quais se encontram neste momento (sim, inclusive em pleno domingo) em hospitais, laboratórios, unidades públicas e privadas, aqui e mundo afora.

Atentos à dor alheia e dispostos a salvar, em tempos dominados pelo enfrentamento ao novo coronavírus os profissionais que fizeram o juramento de Hipócrates, independentemente da idade ou do número de anos trabalhados, sabem que o valor maior do ofício está em cuidar dos pacientes em prol do bem maior: a recuperação. A travessia iniciada em março não tem sinal de término, mas o conhecimento adquirido e o respeito pelo próximo são fundamentais para encontrar as portas de saída.

Com experiência de quase quatro décadas, conciliando trabalho em hospital, consultório e ensino na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Carlos Henrique Diniz de Miranda sabe bem que o ofício exige dedicação como poucos.

Chefe do serviço de gastroenterologia da Santa Casa BH, onde trabalha há 38 anos e diretor-clínico do Hospital São Lucas, onde coordena o centro de terapia intensiva, Carlos Henrique tem uma visão bem clara da profissão: “A medicina te consome, é preciso se dedicar a ela de corpo e alma, aliando conhecimento científico ao humanismo para lidar com a doença e o lado emocional dos pacientes e das suas famílias”, diz o especialista, casado com a médica intensivista e gastroenterologista Marisa Fonseca Magalhães e pai de Ana Clara e Mariana.

Natural de Carvalhos, no Sul de Minas, e formado em Pouso Alegre, na mesma região, Carlos Henrique desfaz o mito de que os médicos são frios de coração, principalmente os que atuam no CTI. “Não é verdade. Difícil não se emocionar a cada dia, de forma especial neste tempo de pandemia. Acho que este 18 de outubro precisa ser comemorado, pois estamos numa cruzada que é de todos, e ainda não terminou. Nosso sentimento deve ser de agradecimento a cada vida salva.”

Lembrando que a sensibilidade é proporcional ao sofrimento alheio, ainda mais no CTI, diante de pacientes em estado mais crítico, Carlos Henrique ressalta que, no dia a dia, há vitórias, a exemplo do momento de dar alta a um paciente, e também derrotas que males como a COVID-19 impõem. “Mas temos mais vitórias do que derrotas, mais fatos positivos a celebrar, principalmente na Santa Casa BH, instituição digna de louvor, que atendeu as demandas da sociedade em tempo recorde.” O futuro, acredita, será de estudo constante, de aprendizado diário. “E é bom recomendar que ninguém abaixe a guarda. Todo mundo deve continuar se protegendo, a fim de evitar a contaminação.”

Débora Johson procura exercer no dia a dia o dom de ajudar: © Fornecido por EM.com.br Débora Johson procura exercer no dia a dia o dom de ajudar:

DEDICAÇÃO

Nas novas gerações, o compromisso com a vida permanece inabalável. “Decidi estudar medicina basicamente para ajudar os outros”, revela Débora Johnson, de 30 anos, que trabalha na área de emergência do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), em Belo Horizonte. Formada em 2014, ela acredita que uma data assim, ainda mais em um momento difícil como o que a humanidade atravessa, serve para renovar a dedicação à profissão escolhida e fortalecer o cuidado com os pacientes. “É um dia para lembrarmos que somos capazes de fazer.”

Desde criança, conta Débora, ela sabia do seu dom para ajudar os outros. Na medicina, pôde, então, expandi-lo com a oportunidade de curar, confortar e melhorar a qualidade de vida das pessoas. No HC/UFMG, que atende casos de alta e média complexidade, incluindo os de COVID-19, Débora atua na linha de frente, prestando o primeiro atendimento e estabilizando pacientes mais graves. “Tem sido um período de muito estresse emocional. Vamos nos adaptando. Tenho ficado muito reflexiva, pensando nos doentes que estão em isolamento no hospital e suas famílias, no impacto que isso causa. Ninguém esperava uma situação dessas, mas o hospital conseguiu se adaptar rapidamente, criando um fluxo para atendimento.”

HUMANIDADE

Também atuando na linha de frente em unidades de saúde das prefeituras de Belo Horizonte e Betim, e em hospital particular do município vizinho da capital, Samuel Pires de Moraes Teixeira, de 41, especialista em medicina da família e comunidade, observa que o 18 de outubro tem um caráter muito simbólico, pois traz à tona a responsabilidade do profissional: “Esse dia me mostra que escolhi o caminho certo, não poderia fazer algo diferente na vida”.

Para o belo-horizontino, casado, dois filhos e diretor de campanhas do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, é fundamental que a data seja compartilhada com os trabalhadores da área de saúde. “Todos devem ser lembrados. Como dizem, nem todos os heróis usam capa.” Não poderia ser mais oportuno destacar que, neste momento de pandemia, a população sabe que os heróis usam jaleco. “Somos limitados como seres humanos, não temos garantia de nada. Lidamos diariamente com a morte, com o sofrimento, só não podemos perder jamais a humanidade, mesmo atravessando tempos difíceis”.

Os médicos sofrem a cada perda, a cada lágrima derramada. “Os momentos de sofrimento dos outros doem também na gente. Não é fácil mesmo, ficamos com a sensibilidade aflorada. Num tempo destes, ainda precisamos manter os cuidados redobrados. Mesmo assim, só posso dizer que a medicina é uma profissão linda e única.”

TRABALHO EM EQUIPE

Muito mais do que dedicado aos médicos, este domingo dever ser o “dia da equipe multidisciplinar”, considera o clínico Antônio Tarcísio de Faria Freire, de 61, natural de Alpinópolis, na Região Sudoeste do estado e formado na Faculdade de Medicina de Barbacena. Atuando na Direção Clínica e coordenando a assistência médica das enfermarias da Santa Casa BH, ele vê este domingo como “de todos os profissionais do hospital”.

E cita, além dos médicos, os profissionais da enfermagem, os funcionários e encarregados da limpeza, os que trabalham nos elevadores e têm contato direto com os doentes, assistentes sociais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas “com atuação de extrema importância nesta pandemia, cuidando da ventilação mecânica (respiradores), fundamentais para garantir a vida dos pacientes” e ainda, faz questão de frisar, “a brilhante atuação da nossa diretoria técnica e todos os setores administrativos”.

Tarcísio se sente um homem feliz. “Eu me considero privilegiado por ser médico e trabalhar em um local que se transformou no verdadeiro ‘hospital de campanha’ de Belo Horizonte durante a pandemia, com oferta de 400 leitos (entre CTI, unidade de alto fluxo de oxigênio e enfermarias).  Posso garantir que, desde março, quando tudo começou, não tem sido nada angustiante ou cansativo. Estamos aqui para ajudar a salvar vidas. Vivemos uma experiência prazerosa, todos dão sua colaboração. Os aplausos, portanto, vão para os envolvidos nessa luta.”

Divorciado, pai de uma estudante de medicina e de um administrador, Tarcísio observa que, neste período, “as vitórias superam os fracassos” e, sete meses após o início da pandemia, tem certeza de que, mais do que nunca, escolheu a profissão certa. “Quando era criança, lá na minha querida cidade, observava o médico local, doutor Hélio Lopes, exemplo do verdadeiro clínico, e tinha profunda admiração pelo trabalho dele. Cresci com isso, segui esse caminho e sou feliz” orgulha-se.

Santo médico

A data para homenagear os médicos, 18 de outubro, foi escolhida em referência ao Dia de São Lucas, o santo padroeiro da profissão. Ele nasceu em Antioquia da Síria, era médico e foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Morreu em 84 d.C, em Tebas na Grécia, sendo sepultado na Itália.

Reportagem: Gustavo Werneck/EM.com.br

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