Criação legal de pássaros: um ato de amor e preservação ambiental

aros domésticos e exóticos ainda é um tabu para muitas pessoas. Porém, a prática vem sendo cada vez mais difundida no Brasil e no mundo com criadores responsáveis e comprometidos com a preservação e a qualidade de vida desses animais. Durante nove dias a Sociedade Oeste Catarinense de Ornitologia (SOCO) promoveu a conscientização e orientação sobre a correta prática da criação de pássaros de forma legal por meio da 31ª Feira de Pássaros e Flores.

O evento reuniu cerca de 10 mil visitantes. Ao todo foram 400 pássaros expostos que precisaram ser repostos durante o evento devido a alta procura por pássaros pets.

O diretor de divulgação da feira, Claudio Luiz Ioriati atua há 25 anos na criação de pássaros. Atualmente cria quatro espécies: red rumped, forpus, catarinas e agapornis. Em média tem em seu criadouro, de cerca de 40 m², entre casais e filhotes, em torno de 300 aves, todas alocadas em um bom espaço

“Nós criamos pássaros dentro da lei. Temos todo o cuidado, acompanhamento com veterinário, boa alimentação, água de qualidade. Tudo isso faz com que o pássaro tenha saúde, atuando dentro das normas regulamentadoras de criação de pássaros domésticos”, explica.

Ioriati destaca que novos criadores devem procurar um clube de ornitologia, como é o caso da SOCO que é filiada à FOB (Federação de Ornitologia Brasileira). “Assim, o criador pode adquirir seus anéis para ter o controle das suas aves. Ou seja, um pássaro criado de forma legal tem que ter as anilhas. Nesse anel consta a idade, o código da SOCO, do criador e da federação. Isso é um controle dos animais”, explica.

Criação dentro da lei

O médico veterinário e criador de pássaros há mais de 15 anos, Rudimar Schneider salienta que criar pássaros é um hobbie, assim como pessoas que criam cavalos, por exemplo. Mas destaca que muito mais do que um hobbie, o criador deve ser um amante da natureza e buscar preservar esses animais, que é o que a criação doméstica faz.

Rudimar cria canários vermelhos e destaca que é preciso ter tempo para dar amor ao pássaro, ter espaço adequado, principalmente para quem quer criar um grande número de pássaros. Outra coisa que é necessário é água e alimento de boa qualidade em quantidade adequada, além de limpeza e desinfecção desses animais.

“Não criamos pássaros para ganhar dinheiro, 90% dos criadores não visam lucro. É um investimento por amor. Eles são pets e passam a fazer parte das nossas famílias e uma dedicação diária”, observa.

Segundo Schneider, ainda há uma grande quantidade de traficantes de pássaros. “Essas são pessoas que pegam os pássaros silvestres para comercializar de forma ilegal e nós somos totalmente contra esse tipo de ação”, frisa.

Além da criação de pássaros ornamentais, existe a criação legal de pássaros silvestres, ou seja, nativos da fauna brasileira. Porém, Schneider observa que esses criadores também estão dentro da lei e têm uma fiscalização e acompanhamento rigorosos por parte do Ibama.

“A ornitologia é uma ciência que visa a preservação dos pássaros e possibilita, em alguns casos, o repovoamento da fauna brasileira por animais criados domesticamente. Isso evita a extinção de espécies nativas, que é o que os criadores de pássaros silvestres fazem”.

Schneider observa que existe uma confusão entre a criação de pássaros domésticos e exóticos e de pássaros silvestres. Ambos podem ser criados de forma legal, mas são regidos por legislações diferentes. “Trabalhamos arduamente na conscientização, estamos longe dessa questão de tráfico de pássaros. Somos totalmente contra e nossos pensamentos diferem completamente, somos amantes da natureza, amantes dos pássaros e buscamos preservá-los e garantir qualidade de vida, bem-estar e amor aos animais”.

Reportagem: Flavia Mota/Jornalista Profissional

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