Corregedoria quer mais explicações sobre troca de cadáveres em hospital de SC

A Corregedoria da SES (Secretaria de Estado da Saúde) abriu uma sindicância para apurar o caso envolvendo a troca de cadáveres no Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama, no Vale do Itajaí. O episódio que repercutiu nacionalmente foi registrado em fevereiro e será objeto de investigação da corregedoria que trata o tema como “muito grave” e quer mais explicações.

Conforme parecer assinado pelo corregedor Márcio Maienberger Coelho, as informações repassadas sobre o episódio são “insuficientes” e,  por isso, é necessária a abertura do processo de investigação do caso.

A comissão definida para acompanhar e apurar o equívoco precisa ser instalada em um prazo de dez dias, a contar da publicação no DOE (Diário Oficial do Estado), último dia 26, e a conclusão desse inquérito deverá ser enviada em um período de 30 dias, prorrogável por mais 30.

O que diz a instituição

Procurada pela reportagem, a direção do Hospital Waldomiro Colautti não quis se manifestar dessa vez. Afirmou que já o fez, na ocasião, onde explicou o que supostamente teria acontecido.

Em nota redigida à época do fato, dia 16 de fevereiro (um após a ocorrência), a instituição referiu-se como “terrível fato ocorrido”. Afirmou o documento ainda que desculpas foram pedidas aos familiares haja vista “não haver intenção” de tal equívoco.

O que diz a SES

A SES foi igualmente procurada pela reportagem mas limitou-se a revelar que “apura todas as questões por meio de processo de sindicância e ou processos administrativos, onde os servidores citados tem (sic) prazo legal e condições para apresentação de defesa”.

Relembre o caso

Na manhã de segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021, por volta das 9h30, a moradora de Ascurra, de 92 anos, que estava internada no hospital veio a óbito e teve o corpo encaminhado ao necrotério da unidade.

Mais tarde, por volta das 11h20, uma moradora de Presidente Getúlio,  de 94 anos, que estava internada no mesmo setor também foi a óbito. Porém, o corpo dela foi mantido na enfermaria.

Após a confirmação dos óbitos, segundo o hospital, as famílias foram comunicadas e ficaram responsáveis por acionar as funerárias para o acolhimento e translado dos corpos.

No entanto, a funerária contratada pela família de Presidente Getúlio chegou antes ao hospital e levou o corpo . Na sequência, o outro corpo foi recolhida pela funerária que prestava serviços para a família de Ascurra.

O equivoco só foi percebido durante o velório. Um neto da mulher teria percebido a diferença e confirmou após analisar o corpo da avó. Segundo a família, a mesma passou por uma mastectomia há alguns anos e só tinha um seio.

Após identificarem que o corpo não era , os familiares acionaram a Polícia Civil, que esteve no local. O velório foi suspenso e o corpo foi levado para a delegacia.

Após entrar em contato com o hospital, os familiares descobriram que o corpo  havia sido sepultado na cidade de Presidente Getúlio, a cerca de 40 quilômetros de distância, e que na verdade estavam velando o corpo de outra.

Durante a tarde da terça-feira um corpo foi exumado para que a troca pudesse ser realizada e os familiares pudessem fazer o velório das idosas.

REDAÇÃO ND

Foto: Reprodução/Redes sociais

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