Coronavírus dobrará número de famintos

O COVID-19 dobrará o número de pessoas que sofrem de alguma crise alimentar, elevando-o para 265 milhões, estima o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA). Anunciado ao lado do lançamento do Relatório Global sobre Crises Alimentares, por vários parceiros, incluindo o PAM, os números mostram que é vital tomar ações rápidas.

As crises alimentares pré-existentes piorarão drasticamente devido à pandemia, pois as pessoas em alguns dos países mais pobres terão que enfrentar as consequências econômicas do bloqueio. “Os 55 países e territórios que abrigam 135 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave e que necessitam de assistência humanitária urgente em alimentos e nutrição são as mais vulneráveis às consequências dessa pandemia, pois têm capacidade muito limitada ou nenhuma capacidade de lidar com a saúde ou aspectos socioeconômicos do choque”, diz o relatório.

No ano passado, as pessoas com insegurança alimentar estavam em países afetados por conflitos (77 milhões de pessoas), mudanças climáticas (34 milhões) e crises econômicas (24 milhões), com as 10 piores crises alimentares no Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão , Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Sudão, Nigéria e Haiti. O Sudão do Sul tinha 61% da população em estado de crise alimentar ou pior, seguido pelo Sudão, Iêmen, República Centro-Africana, Zimbábue, Afeganistão, República Árabe da Síria e Haiti (pelo menos 35%).

“O COVID-19 é potencialmente catastrófico para milhões que já estão presos por um fio. É um golpe de martelo para milhões a mais que só podem comer se ganharem um salário”, disse o economista-chefe do PMA, Arif Husain. “Os bloqueios e a recessão econômica global já dizimaram seus ovos de ninho. É preciso apenas mais um choque, como o COVID-19, para empurrá-los para o limite”, conclui.

Por: AGROLINK –Leonardo Gottems

 

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