Conheça os mitos que cercam os dois tipos de parto: normal e cesárea

A mulher descobre que está grávida! Logo, muda também os seus hábitos.  Assim, uma série de exames e cuidados com a alimentação passam a fazer parte de sua nova rotina. Além do tradicional enjoo e o cansaço, tudo segue uma normalidade, até que surge uma dúvida cruel: Normal ou Cesárea?

Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli, a maioria dos médicos preferem fazer um parto normal a cesárea. “Apesar de toda a segurança que uma cesárea tem hoje, não deixa de ser um procedimento cirúrgico, portanto, aberto a possíveis complicações como hemorragias e infecções. Além disso, o parto normal é de fácil recuperação por não ser invasivo”, complementa o o médico.

A cesariana sempre será indicada quando houver risco iminente para mãe e o bebê. Há casos em que a dilatação da mulher não é suficiente para que a criança venha ao mundo, sendo necessária a cirurgia.  “Às vezes é necessário antecipar o parto devido a uma infecção ou doença que se desenvolveu durante a gestação. Outras situações como: deslocamento de placenta, por exemplo, que oferece risco para mãe e filho exige uma intervenção”, afirma Domingos.

Abaixo, o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli desvenda os principais mitos que cercam a cesárea, bem como o parto normal:

Quem tem o primeiro filho por cesárea não pode ter o segundo por parto normal?

Mito. Quem teve uma cesariana pode fazer um parto normal. Geralmente, os obstetras orientam as mulheres a esperarem pelo menos dois anos entre a cesariana e a gestação seguinte se a intenção é ter um parto normal. A explicação para isso é que na cesárea o útero é cortado e suturado e uma cicatriz interna se forma. Nas contrações da próxima gravidez, o útero pode se romper e causar hemorragia interna. Mas, vale lembrar que se a mulher teve duas ou mais cesáreas, o parto normal é totalmente desaconselhável, pelo grande risco de ruptura do útero, devido às cicatrizes internas anteriores.

Não deve ser aplicada anestesia no parto normal?

Mito. Se a mulher estiver sentindo dor e quiser uma analgesia de parto, ela pode sim fazer um parto normal com analgesia.

É necessário ficar sem falar após a cesárea?

Mito. Pode falar sem problemas.

Após a cesárea, há menos sangramento que no parto normal?

Mito. A cesariana sangra mais do que o parto normal durante o procedimento. Às vezes, no parto normal pode sair um pouco mais de sangue pela vagina, porém, o parto normal faz com que a mulher sangre menos durante o parto. Na cesárea, a mulher sangra mais durante o parto e pode sangrar menos pela vagina. No final das contas, o sangramento acaba sendo bem parecido, quase igual.

Se a mãe não conseguiu ter parto normal, logo a filha também não terá?

Mito. O parto da mãe em nada tem a ver com o parto da filha. O parto muda até na mesma mulher, entre uma gestação e outra.

No parto normal é obrigatória a realização de lavagem intestinal?

Mito. Não é obrigatória, muito pelo contrário. Hoje em dia não é nem recomendado que se faça lavagem intestinal para o parto normal.

Se o cordão umbilical estiver enrolado no pescoço do neném, a gestante terá que fazer cesariana?

Mito. A cesariana só é indicada se houver repercussão hemodinâmica; o que a gente consegue verificar nos exames de rotina. Via de regra, 95% dos bebês que têm o cordão enrolado em volta do pescoço podem nascer de parto normal.

Dr. Domingos Mantelliginecologista e obstetra – autor do livro “Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra”. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e residência médica na área de Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição. Dr. Domingos Mantelli tem pós-graduação em Ultrassonografia Ginecológica e Obstétrica, e em Medicina Legal e Perícias Médicas.

Site: http://domingosmantelli.com.br

 

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