Carlos Chagas apostou em informação para controlar Gripe Espanhola no Brasil

O Brasil viu pela primeira vez uma crise sanitária em sua população urbana há mais de 120. A Gripe Espanhola tomava conta das grandes cidades brasileiras e sua alta taxa de mortalidade fez os corpos ficarem empilhados nas metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo.

Crise sanitária da Gripe Espanhola

Colapso sanitário no Rio de Janeiro de 1918: te lembra alguma coisa? Situação de descontrole da pandemia da gripe espanhola é muito similar ao que vivemos hoje em dia

Segundo relatos da época, a doença chegou em setembro de 1918 ao país e se espalhou como um incêndio. Rapidamente, Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Recife já tinham hospitais entupidos de vítimas da H1N1. Acredita-se que 76% da população do Rio de Janeiro, que, à época, tinha 1 milhão de habitantes, contraiu a doença. Cerca de 1,5% da população faleceu, incluindo o então presidente da República, Rodrigues Alves

Não coincidentemente, a história se repete. O diretor geral de Saúde Pública, à época, sr. Carlos Seidl, acreditava que a ‘Hespanhola’, como era chamada nos jornais, era apenas uma gripe comum e que não havia motivo para estardalhaço. Com o aumento de ocupação nos leitos, a situação se tornou incontrolável. Houve, então, a necessidade de mudança na troca da gestão de saúde pública.

Como Carlos Chagas combateu a gripe espanhola e ajudou a criar o SUS

Carlos Chagas, renomado infectologista, biólogo, médico, sanitarista, enfim… uma das maiores figuras da história da ciência brasileira, assumiu o posto de controle e apostou na boa e correta informação para frear a disseminação da gripe espanhola. O resultado foi frutífero.

“Com Chagas os jornais começam a publicar na primeira página os protocolos de cuidado, como lavar as mãos, não visitar outras pessoas e se alimentar bem”, afirmou a historiadora e professora da UFRJ Marialva Barbosa. 

O mineiro responsável por descobrir a doença de chagas fez o seguinte: construiu hospitais de campanha nas duas cidades mais afetadas (Rio e SP), suspendeu as aulas em escolas, instaurou um toque de recolher, proibindo grandes eventos e aglomerações, além de criar postos de atendimento próximos às estações de trem no subúrbio carioca – epicentro da epidemia na capital federal.

“Os esforços necessários para combater a gripe espanhola, e a comoção que ela causou nas pessoas, ajudaram a criar, em 1920, a Diretoria Nacional de Saúde”, explicou Dilene Raimundo do Nascimento, do programa de pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Fiocruz, à ADUFRJ.

Redação Hypeness

Foto: Arquivo Nacional

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