Canal do Panamá está ameaçado – e não é culpa do coronavírus

Inaugurado em 1914 como uma das maiores obras de engenharia em todo o mundo, o Canal do Panamá é um canal artificial localizado no Panamá ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico para oferecer rota mais rápida a mais de 12 mil embarcações anualmente. Atualmente o canal se vê diante de uma crise que, pasmem, nada tem a ver com a pandemia do novo coronavírus: desde o ano passado falta água no trecho, ameaçando o complexo mecanismo de eclusas que permite a passagem dos navios de um oceano para o outro.

Uma queda de 20% nas chuvas colocou 2019 como o quinto ano mais seco em sete décadas, e por conta disso as autoridades do Canal do Panamá já vêm reduzindo o calado máximo das embarcações que atravessam o trecho para economizar água. Além disso, desde fevereiro os navios que atravessam o canal passaram a ter de pagar uma tarifa de até US$ 10 mil dólares pelo consumo de água doce pela passagem. “Tivemos um ano extremamente seco e isso nos levou a implementar várias medidas para garantir a conservação dos recursos hídricos”, explica Carlos A. Vargas, vice-presidente de água e meio ambiente do Canal do Panamá.

Embarcação cruzando o canal

Detalhe do complicado sistema de transposição do canal

O lago artificial Gatún, ligado ao canal, que fornece a água para permitir a passagem, vem sofrendo intensamente com a falta de chuvas – e, soma-se a isso o impacto global da atual pandemia sobre a economia, e o futuro é ainda incerto no local.

Barco no lago Gatún

“A equipe do Canal do Panamá acompanhará de perto como as cadeias de suprimento se reestruturarão nos próximos meses”, afirmou o administrador do canal, Ricaurte Vásquez. “Quando a pandemia se atenuar, estaremos de olho na consistência com que os governos regulam sua indústria de transporte”, conclui.

Vitor Paiva : Redação Hypeness

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