Bolsonaro diz que, se vacina da Oxford chegar hoje, segue amanhã para Estados

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 22, que a distribuição da vacina Oxford/AstraZeneca aos Estados deve começar já neste sábado caso o imunizante chegue hoje ao País. A previsão do governo é que 2 milhões de doses vindas da Índia sejam entregues no Aeroporto de Guarulhos (SP) às 17h40 e sigam em outra aeronave para o Rio de Janeiro à noite, onde vão passar por um processo de checagem de qualidade e segurança em Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em entrevista à imprensa na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro também voltou a colocar em dúvida a eficácia da vacina contra a covid-19.

“Pode ter certeza que a Aeronáutica está aí pronta para servir ao Brasil mais uma vez. E essa vacina (de Oxford/AstraZeneca) amanhã mesmo, se chegar hoje à noite, amanhã mesmo começa a chegar aos seus destinos”, disse o presidente.

Após a garantia de entrega dos imunizantes, o chefe do Executivo voltou a dizer, de forma equivocada, que as vacinas não teriam comprovação científica. “O que eu tenho observado é que ainda tem muita gente que tem preocupação com a vacina. E deixo bem claro, ela é emergencial, eu não posso obrigar ninguém a tomar, como um governador um tempo atrás falou que ia obrigar. Eu não sou inconsequente a esse ponto”, disse.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu principal adversário político, rivalizaram quanto à obrigatoriedade das imunizações. “Tem que ser voluntária, afinal de contas não está nada comprovado cientificamente com essa vacina”, acrescentou.

No entanto, ao dar o aval para o uso emergencial das vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Coronavac, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que há evidências robustas sobre a segurança destes produtos, que não apresentaram reações adversas graves. A agência aponta ainda incertezas sobre a eficácia, mas ressalta que o benefício do uso para amenizar a pandemia supera os riscos potenciais.

Na conversa com jornalistas, Bolsonaro comentou que as doses já entregues da vacina pelo País, referindo-se à Coronavac, foram distribuídas assim que a Anvisa aprovou o seu uso emergencial. “O pessoal diz que eu era contra a vacina. Eu era contra a vacina sem passar pela Anvisa. Passou pela Anvisa eu não tenho mais o que discutir, tenho que distribuir. E nós distribuímos no prazo programado e um dia antes”, afirmou.

Sobre as negociações internacionais para a aquisição de insumos, o presidente disse que tem se reunido com autoridades, mas que as conversas são reservadas. “Obviamente, converso com autoridades, estive com o embaixador da Índia na semana passada. Também nosso ministro conversa com o embaixador da China entre outras autoridades, mas são conversas reservadas, lamento não poder divulgar a vocês”.

Após um período de incertezas sobre o envio de lote de vacinas vindas da Índia, previsto para chegar nesta tarde, o governo ainda enfrenta o desafio de importar insumos da China para dar continuidade à produção de vacinas no País.

Nesta manhã, Bolsonaro recebeu parlamentares membros da bancada ruralista, grupo do qual ele cobrou apoio na semana passada para o candidato do Planalto na eleição da Câmara dos Deputados. Segundo o presidente, “não existe Legislativo e Executivo isolados” e os dois poderes trabalham em parceria. “Tudo o que vier a favor de nós atendermos o nosso povo no tocante à vacinação, eu agradeço”, disse.

Preparação

Segundo a Fiocruz, o imunizante será transportado até Bio-Manguinhos em caixas, acondicionadas em containers com controle de temperatura, que permanecerá entre 2 e 8ºC. As vacinas também passarão por um processo de rotulagem e etiquetagem com informações em português, o que está previsto para ocorrer durante a madrugada desta sexta-feira e na manhã de sábado.

“Será realizado por equipes treinadas em boas práticas de produção”, informou a fundação. A distribuição das doses será de responsabilidade do Ministério da Saúde.

A remessa era esperada pelo governo para a última sexta-feira, 17, mas atrasou. Um avião chegou a ser enviado para buscar o material, mas parou em Recife antes de cruzar o Atlântico, diante da falta de confirmação.

Expectativa

O Brasil também espera o envio de insumos da China para produzir a vacina no País, que está atrasado. Segundo a embaixa chinesa, serão feitos os”máximos esforços” para conseguir avanços no envio “sob a premissa de garantir saúde e segurança”. A matéria-prima é necessária para a produção das vacinas da Fiocruz e do Instituto Butantan.

Com o atraso, a Fiocruz adiou de fevereiro para março a previsão de entrega das primeiras doses da vacina Oxford/AstraZeneca que serão produzidas no Brasil. A mudança deve dificultar ainda mais a execução do plano nacional de imunização contra a covid-19, que já sofre com incertezas quanto à importação dos insumos para a produção da Coronavac.

Na quarta-feira, o Butantan afirmou ter praticamente esgotado a quantidade de insumos para fabricar a vacina Coronavac no Brasil. O órgão ligado ao governo paulista distribuiu o 1º lote, com seis milhões de doses, para começar a imunização no País. Além disso, tem condições de entregar mais 4,8 milhões de unidades. Depois, depende da matéria-prima chinesa para garantir novas remessas.

Como noticiou o Estadão, o Brasil corre o risco de ter uma parada na vacinação. Mais de um mês após assinar um memorando de entendimento para comprar vacinas da Pfizer, o governo federal ainda não fechou um acordo com a farmacêutica. O mesmo ocorre com outras empresas, como a Janssen, o Instituto Gamaleya (que desenvolve a Sputnik V) e a indiana Bharat Biotech.

O País conta com as 6 milhões de unidades da Coronavac aprovadas, enquanto a Anvisa avalia a liberação de outras 4,8 milhões, além das 2 milhões de vacinas de Oxford/AstraZeneca, importadas da Índia. Elas são suficientes para imunizar cerca de 6 milhões de pessoas, pois é necessária a aplicação de duas doses.

 

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